Ao amanhecer o escuro se vai mas, não os seus efeitos
Pois é no escuro que as Sombras se tornam rainhas
E durante a negra noite o medo é o pomposo eleito
Agarrando-se à sua alma como malditas vinhas.
Em seu sonhos o temor de um pesadelo comanda
Você mantêm os olhos abertos para não se perder
Temendo este mundo que toda noite se anda
Cheio de caminhos que nos fazem o sono temer
E na imensa vastidão das trevas noturnas
Por este vale de medo e horrores caminhamos
Perdidos num deserto temoroso de imensas dunas
Feitas de imagens ruins que há muito não lembramos
E no auge do reino da perpétua escuridão
Quando prospera o governo da desconhecida madrugada
É onde os pesadelos florescem altivos então
Nos deixando com a alma tetricamente assombrada
O medo de escuro é apenas uma vaga certeza
De algo tenebroso que nos é desconhecido
Pois fica-se na mente a desconfortável incerteza
De não ter certeza de que nada tenha acontecido
E assim vivemos nas sombras da sorrateira dúvida
Torcendo apenas que nada saia para a realidade
O amanhecer nos traz o fim das noites escuras
Mas nunca a resposta que contém verdade
Será que todo o pesadelo acabou realmente?
Será que as minhas memórias da noite que passou
Irão me atormentar nas próximas trevas novamente?
Ou será que meu pesadelo sequer começou?
sábado, 21 de setembro de 2013
terça-feira, 25 de junho de 2013
Escute o relógio 24 horas
Estou no único quarto da casa que não há janelas, prestes a fazer uma experiência que muitos dizem ser sobrenatural e perigosa, pois ao fim dela posso estar morto mas como não conheço ninguém que a tenha feito penso que é apenas uma lenda de Internet, nada mais que uma perda de tempo, mas como não tenho nada para fazer...
Essa experiência consiste em um ato bem simples, trancar-se em um quarto sem janelas apenas com uma vela e um relógio, desses antigos onde você consiga escutar o seu singelo barulho, "TIC TAC", simples assim, eu só preciso ficar 24 horas dentro do quarto e sair de lá vivo, segundo a lenda ao final das 24 horas você se encontra com o próprio Deus ou qualquer entidade superior que seja a sua crença, porem a lenda também diz que ninguém sobrevive a isso pois o que acontece dentro do quarto é aterrador e fatal.
Bem como estou de férias do serviço, sozinho em casa, meus pais estão viajando, é inverno e não tenho nenhum compromisso nas próximas 24 horas, então lá vou eu. Fechei a porta, infelizmente não tem chave, por isso ela não vai ficar trancada mas, o quarto está totalmente escuro por isso ascendi a vela e a coloquei no chão do lado do relógio e sentei-me de frente para os dois.
PRIMEIRA HORA
Já faz 25 minutos que estou aqui, até agora nada de diferente a não ser o fato de eu não escutar nenhum barulho vindo de fora deste quarto, nenhum um mínimo ruído, o único som que escuto é o TIC TAC do relógio que inclusive agora parece estar alto demais, se comparado quando entrei no quarto.
Se passaram mais dez minutos agora tenho certeza que o barulho do relógio está muito alto isso é estranho, acho que estou me deixando levar pelos pensamentos bobos que todos temos quando encaramos ou fazemos algo totalmente desconhecido.
SEGUNDA HORA
Estou aqui há 2 horas e meia, já me acostumei com o barulho do relógio ou, ele voltou ao normal não sei mas, tirando isso mais nada de estranho aconteceu.
TERCEIRA HORA
O legal de ficar sozinho aqui é que fico pensando em tudo, divagando em pensamentos, toda a minha vida, o que fiz de bom, o que fiz de errado, o que pretendo fazer no futuro, as pessoas que conheci, muitas ideias.
A vela acabou de balançar sinistramente, com se houvesse uma corrente de ar aqui mas, não há pois é tudo fechado, me sinto estranho, de repente começou a surgir um medo dentro de mim, sinto que não estou sozinho.
QUARTA HORA
É incrível como a mente humana pode enganar, senti um medo bobo há uma hora atrás e resolvi vasculhar todo o quarto com a vela, nada... estou sozinho, me deixei levar pela imaginação.
Quase cinco horas desse experimento, confesso que tá ficando chato nada tá acontecendo.
QUINTA HORA
Comecei a ouvir uns barulhos, há principio pensei que era de fora do quarto, sei lá algum vizinho na rua ou o barulho de algum carro mas comecei a prestar atenção agora e não é nada disso parece um murmúrio, com se tivesse dezenas de pessoas falando ao mesmo tempo, num lugar bem distante pois não consigo diferenciar ou entender nenhuma palavra, vasculho o quarto de novo com a vela mas não há nada porém o barulho continua, estou começando a ficar com aquele medo de novo.
Agora são 5 horas e 40 minutos trancado e uma coisa realmente assustadora está acontecendo, ouço passos no chão de madeira do quarto, são pisadas fortes, procuro mas não vejo ninguém as pessoas que estavam falando agora gritam, ainda não entendo nada do que ela dizem mas, por vez ou outra ouço meu nome.
Descobri que quem está andando no meu quarto é um homem, ele está chorando e de vez e quando ele também fala meu nome, estou muito assustado.
SEXTA HORA
Resolvi que vou sair do quarto as pessoas e o homem chorando, que agora está correndo, gritam em coro o meu nome, mas gritam de uma forma que representa muita dor, o barulho do relógio é ensurdecedor, decidi vou sair, estou com muito medo.
Eu não acredito, a porta está trancada, não pode ser, eu só fechei ela, não tinha chave, mas ela está trancada, não pode ser isso não é verdade, eu só posso estar sonhando.
Eu quero sair daqui as pessoas não para de lamentar o meu nome e o homem chorando também, ele está se jogando de encontro a parede, e dá gritos horríveis quando se choca com ela parece que está muito machucado, eu apenas imagino isso pois, não vejo nada, apenas ouço. Ele acabou de dizer que a culpa é toda minha.
SÉTIMA HORA
Todo o barulho acabou, eu nem acredito, estava a ponto de ficar louco, até o barulho do relógio voltou ao normal, tento abrir a porta de novo mas ela realmente está trancada, na verdade se não fosse o trinco eu diria que não há porta, pois não consigo ver o seu formato ou batente, isso é muito assustador.
Estou exausto essas duas últimas horas de terror minaram as minhas energias, acho que vou aproveitar e dormir, porque estou muito cansado mesmo.
OITAVA HORA
Acordo assustado com o barulho de um tiro de revólver que se assemelha muito à 9 mm que meu pai tem, há uma questão martelando em minha cabeça, será que sou feliz?
Parece que estou sob efeito de algum tranquilizante muito ou forte, me sinto como se tivesse fumado maconha mas, tive um sonho muito bom, lembranças boas da minha infância, dos antigos amigos, sonhei com coisas boas acontecendo comigo no futuro, estou em paz.
Apesar do medo que passei até aqui, sinto que as coisas podem dar certo afinal...
NONA HORA
Eu não aguento mais isso, esse relógio maldito não para nunca com o seu barulho, não suporto mais ficar aqui dentro sem fazer nada apenas sentado, eu vou sair, vou dar um jeito de derrubar aquela porta.
Não posso ficar parado, eu tenho que sair daqui, não sei porque mas estou chorando copiosamente resolvi que vou começar a correr aqui dentro deste quarto, quem sabe alguma boa ideia me vem a cabeça.
DÉCIMA HORA
Estou muito machucado, tentei em vão derrubar aquela porta mas, a única coisa que consegui foi um corte na cabeça e acho que quebrei algumas costelas enquanto me jogava de encontro a porta, estou com muita dor.
Depois em um acesso de raiva comecei a esmurrar as paredes, minha mãos estão todas machucadas e ensanguentadas, estou muito arrependido de fazer esse experimento.
Se passaram 10 horas e 33 minutos, os barulhos começaram de novo mas agora são diferentes, são batidas nas paredes, crianças chorando... eu não aguento mais isso.
DÉCIMA PRIMEIRA HORA
A luz da vela apagou, me esqueci completamente disso deveria ter pego uma vela muito maior, meu
Deus está tudo escuro não enxergo nada, nunca senti tanto medo na minha vida, com certeza tudo isso foi uma ideia terrível. Os barulhos se misturaram todos agora é apenas um zumbido ensurdecedor, sinto que vou enlouquecer.
DÉCIMA SEGUNDA HORA
Por algum milagre a vela se ascendeu sozinha apenas o pavio está queimando, não sei explicar isso mas a luz voltou e os barulhos cessaram, fazias horas que eu não me sentia tão bem, o silêncio é reconfortante mas, alguma coisa dentro de mim me diz que isso não vai durar muito tempo.
Resolvo dormir de novo, estou mais cansado do que nunca.
DÉCIMA TERCEIRA HORA
Eu tive um pesadelo terrível, assustador, horrível, na verdade não existem palavras pra descrever o que eu vi enquanto dormia.
Enxerguei o inferno, pessoas sendo decapitadas, esfoladas vivas, eu vi homens fazerem atrocidades com indefesas garotinhas, torturas das mais variadas formas e crueldades.
Eu vi a mim mesmo matando de forma doentia as pessoas que amo, foi terrível parece que fiquei anos preso nesse inferno de tormentos e agora que acordei não consigo tirar essas imagens da minha cabeça, eu choro, choro todo o liquido do meu corpo, estou desesperado, minha alma está quebrada ao meio, acho que a loucura está tomando conta do meu corpo e da minha alma.
DÉCIMA QUARTA HORA
Eu continuo chorando, os meus soluços tomam conta de todo o quarto, nunca vou me recuperar disso.
DÉCIMA QUINTA HORA
Agora estou conversando com o Rafael, um amigo dos tempos de colégio que não via há muitos anos, na verdade não consigo vê-lo mas, ele está aqui falando comigo, me sinto protegido agora.
Ele me disse pra eu perguntar qualquer coisa que me responderá.
Pergunto sobre várias coisa da minha vida e ele responde tudo exatamente como é... parece estranho mas eu não me sinto bem com isso, ele sabendo tanto sobre mim.
O Rafael começou a falar coisas terríveis de minha pessoa , atitudes que eu fiz que magoaram e feriram as pessoas, eu não sabia que tinha feito tão mal a elas, nunca foi minha intenção.
Ele também está falando de outras atitudes que tomarei no futuro e que farão um mal pior as pessoas que conheço e que não conheço.
Eu digo que é mentira e mando ele calar a boca, apesar de não enxerga-lo sinto como se fosse um pontapé nas minhas costelas já quebradas a dor é indescritível além de surgirem outras costelas fraturadas.
Apesar dos meus gritos de agonia Rafael volta a falar coisas terríveis do meu caráter , e o que me deixa mais aterrorizado é que lá no fundo eu sei que tudo é verdade.
Ele foi embora e me deixou aqui com a alma destroçada, descobri que muita coisa que fiz quando mais jovem foi apenas o inicio da desgraça na vida de muitas pessoas, estou desolado
DÉCIMA SEXTA HORA
Agora meus pais estão aqui também não posso ver eles apenas escutar. Eles começam a me perguntar coisas da minha vida ou coisas que partilhamos juntos, me sinto bem.
Meu pai me perguntou se eu já usei drogas fico calado, estou com muita vergonha. Ele repetiu a pergunta e eu não respondi então comecei a sentir uma imensa dor em todo o meu corpo como se estivesse recebendo inúmeras facadas , queimaduras, fraturas, uma dor imensamente pior que as minhas costelas quebradas, meus pais dizem para eu responder a pergunta, então eu respondo que sim, eu já tinha usado drogas e a dor para.
Agora sei que se não responder suas perguntas a dor voltará e decido que não vou cometer de novo o mesmo erro. Mas eles perguntam coisas que eu escondia lá no fundo do meu ser, é difícil dar as respostas e, as ondas de dores bestias continuam durante vários minutos até eu responder tudo que eles querem.
Tentei mentir diante de uma pergunta, eles sabem quando minto e a dor vem novo pior que antes, respondo sinceramente e a dor para.
Os dois se despediram e foram embora, agora além de estar com a alma destroçada e a loucura cada vez mais presente meu corpo está quebrado.
DÉCIMA SÉTIMA HORA
Agora quem está aqui é um amigo meu de tempos atuais não sei se fico feliz ou com mais medo ainda.
Ele me pergunta como nos conhecemos eu respondo resumidamente.
Então o inferno, novamente a dor, eu grito e peço para parar, ele exige que eu responda em todos os detalhes como nos conhecemos, eu tento puxar da memória mas, é difícil pensar com todo o seu corpo sendo esmagado e partido a meio ao mesmo tempo.
Durante todo o tempo que ele ficou aqui, fui torturado de todas as formas possíveis, por não responder as suas perguntas da forma correta, agora que ele foi embora desabo em um pranto inconsolável.
DÉCIMA OITAVA HORA
Quem esteve aqui comigo agora foi a primeira garota que eu amei.
Estou cansado de mais para escrever, apenas digo que o que ela fez comigo não foi diferente do que meus pais ou meu amigo fizeram.
Eu não consigo mais chorar, acabaram-se as lágrimas, acho que estou prestes a morrer.
DÉCIMA NONA HORA
Eu não acredito no que está acontecendo, estou falando comigo mesmo, a minha imagem refletida na minha frente diz coisas horrorosas pra mim.
Nós dois discutimos, ofensas, violência física, mas como eu estou em um estado físico deplorável é óbvio que tomei uma surra do meu outro eu, socos, pontapés, não sei como ainda estou vivo tenho certeza que todos os meus ossos estão quebrados, todos os meus órgão interiores destruídos, a dor que sinto é algo quase que sem explicação.
Estou jogado em um canto, nem sei mais se realmente estou escrevendo isso, talvez sejam só meus pensamentos.
O meu outro eu continua a falar atrocidades de coisas que fiz ou vou fazer, ele fala como daqui há alguns anos vou sofrer um acidente de carro e ficar em estado vegetativo e de como eu viverei anos assim nessa condição apenas sonhando com o dia da minha morte.
O meu outro eu foi embora, tomara que eu morra agora.
VIGÉSIMA HORA
Eu consegui me sentar, de repente um revolver surge na minha frente.
Faz dez minutos que estou olhando para o revolver, eu sei o que é isso, eu desejei a minha morte e esse revolver apareceu para me ajudar mas, descubro que sou covarde e não faço isso.
Agora tem uma faca na minha frente eu a pego e como forma de me punir por não conseguir cometer o suicídio começo a me cortar, arrancar pedaços de pele, arranco uma das minhas orelhas, não sinto dor apenas uma imensa angústia.
Surgiu um alicate, com ele arranco todos os meus dentes e minhas unhas, com a faca eu tiro quase todo meu couro cabeludo, a agonia se transforma em desespero e começo a me mutilar de todas as formas que consigo.
Durante toda essa hora me machuquei o máximo que consegui, sinceramente nem me preocupo mais em pensar como ainda estou vivo.
Agora surgiu um enorme espelho na minha frente e o que vejo refletido é um monstro sem cabelo e com o crânio a mostra, sem dentes, o meu olho esquerdo está no chão, eu mesmo o retirei com a ajuda da faca, um liquido escuro escorre do buraco que ficou, pareço mais um defunto em estado de decomposição, o quarto todo cheira a sangue coagulado, urina e fezes.
Por incrível que pareça eu vejo meu reflexo dando um sorriso.
VIGÉSIMA PRIMEIRA HORA
Deitado no chão semiconsciente começo a escutar uma música.
É um canto de igreja, cantos gregorianos, é tudo muito lindo, me sinto em paz.
Não sei como mas toda a dor termina, olho pro espelho e todos as minha feridas e machucados sumiram.
A música continua e eu começo a me embalar pra frente e pra trás sempre olhando fixamente para a vela.
VIGÉSIMA SEGUNDA HORA
A música parou, agora quem começa a cantar sou eu, pareço cantar os mesmos cantos de igreja de antes mas, não tenho certeza, não entendo nada apenas canto.
Tirando isso o silêncio reina absoluto dentro do quarto.
Não estou feliz nem triste, na verdade não sinto nada, apenas respiro.
VIGÉSIMA TERCEIRA HORA
Não canto, não faço nada, o silêncio reina absoluto, quebrado apenas pelo TIC TAC do relógio, olho para ele, 23 horas e 30 minutos que estou aqui dentro deste inferno, parece que fazem anos. Só agora começo a perceber que isso aqui tudo está chegando perto do fim.
VIGÉSIMA QUARTA HORA
O relógio para de trabalhar, uma luz muita forte dentro do quarto me cega e alguém muito pesado fica sobre o meu peito, é difícil de respirar. Parece ser um homem, porém sua voz se assemelha ao som gutural de um animal aterrador mas, Ele não está zangado parece tranquilo. Eu tenho certeza que é Deus.
Ele me faz inúmeras perguntas de 5 em 5 minutos, eu não me lembro delas, só me lembro que respondo sim ou não, na verdade me lembro de apenas uma questão... Todo o tempo ele fica em cima de mim me pressionando. Porém nada enxergo pois a luz que emana dele me cega totalmente.
Até que tudo termina tão abruptamente como começou, Ele vai embora, a luz que me cegava vai junto, o relógio começa de novo seu infernal barulho característico, TIC TAC TIC TAC...
A porta do quarto se abre, eu saio para fora, nem acredito que estou em casa de novo, não sinto nenhuma dor física, meu corpo está recuperado e saudável mas minha sanidade e minha alma não. Sofri todo o tipo de tortura física e psicológica, e isso é algo com o qual não consigo viver.
Me lembro que o meu pai esconde uma arma em cima do guarda-roupa do seu quarto. Vou até lá e, depois de procurar um instante eu a encontro, por algum motivo ou por uma pequena luz de sanidade acho melhor não sujar o carpete da casa com meu sangue, por isso me dirijo até o banheiro.
Me ajoelho dentro do box do chuveiro, coloco a arma na boca, e começo a pensar, do porque de tudo isso, minha intenção em essa experiência macabra era de ver se podia ver ou falar com Deus, bem eu não pude vê-lo, apenas ouvi suas perguntas, mas não me lembro de nada que me falou, com exceção de uma coisa:
- Você é feliz?
- Não.
O que significa isso, por que só me lembro dessa pergunta?
Depois de meia hora ajoelhado dentro do banheiro e com o cano da 9 mm dentro da boca, desisto de tentar descobrir o que significou tudo o que passei e, com as últimas lágrimas que me restam a escorrer pela minha face puxo o gatilho...
OITAVA HORA
Acordo assustado com o barulho de um tiro de revólver que se assemelha muito à 9 mm que meu pai tem, há uma questão martelando em minha cabeça, será que sou feliz?
Parece que estou sob efeito de algum tranquilizante muito ou forte, me sinto como se tivesse fumado maconha mas, tive um sonho muito bom, lembranças boas da minha infância, dos antigos amigos, sonhei com coisas boas acontecendo comigo no futuro, estou em paz.
Apesar do medo que passei até aqui, sinto que as coisas podem dar certo afinal...
AMÉM
by Fernando Barbosa
Essa experiência consiste em um ato bem simples, trancar-se em um quarto sem janelas apenas com uma vela e um relógio, desses antigos onde você consiga escutar o seu singelo barulho, "TIC TAC", simples assim, eu só preciso ficar 24 horas dentro do quarto e sair de lá vivo, segundo a lenda ao final das 24 horas você se encontra com o próprio Deus ou qualquer entidade superior que seja a sua crença, porem a lenda também diz que ninguém sobrevive a isso pois o que acontece dentro do quarto é aterrador e fatal.
Bem como estou de férias do serviço, sozinho em casa, meus pais estão viajando, é inverno e não tenho nenhum compromisso nas próximas 24 horas, então lá vou eu. Fechei a porta, infelizmente não tem chave, por isso ela não vai ficar trancada mas, o quarto está totalmente escuro por isso ascendi a vela e a coloquei no chão do lado do relógio e sentei-me de frente para os dois.
PRIMEIRA HORA
Já faz 25 minutos que estou aqui, até agora nada de diferente a não ser o fato de eu não escutar nenhum barulho vindo de fora deste quarto, nenhum um mínimo ruído, o único som que escuto é o TIC TAC do relógio que inclusive agora parece estar alto demais, se comparado quando entrei no quarto.
Se passaram mais dez minutos agora tenho certeza que o barulho do relógio está muito alto isso é estranho, acho que estou me deixando levar pelos pensamentos bobos que todos temos quando encaramos ou fazemos algo totalmente desconhecido.
SEGUNDA HORA
Estou aqui há 2 horas e meia, já me acostumei com o barulho do relógio ou, ele voltou ao normal não sei mas, tirando isso mais nada de estranho aconteceu.
TERCEIRA HORA
O legal de ficar sozinho aqui é que fico pensando em tudo, divagando em pensamentos, toda a minha vida, o que fiz de bom, o que fiz de errado, o que pretendo fazer no futuro, as pessoas que conheci, muitas ideias.
A vela acabou de balançar sinistramente, com se houvesse uma corrente de ar aqui mas, não há pois é tudo fechado, me sinto estranho, de repente começou a surgir um medo dentro de mim, sinto que não estou sozinho.
QUARTA HORA
É incrível como a mente humana pode enganar, senti um medo bobo há uma hora atrás e resolvi vasculhar todo o quarto com a vela, nada... estou sozinho, me deixei levar pela imaginação.
Quase cinco horas desse experimento, confesso que tá ficando chato nada tá acontecendo.
QUINTA HORA
Comecei a ouvir uns barulhos, há principio pensei que era de fora do quarto, sei lá algum vizinho na rua ou o barulho de algum carro mas comecei a prestar atenção agora e não é nada disso parece um murmúrio, com se tivesse dezenas de pessoas falando ao mesmo tempo, num lugar bem distante pois não consigo diferenciar ou entender nenhuma palavra, vasculho o quarto de novo com a vela mas não há nada porém o barulho continua, estou começando a ficar com aquele medo de novo.
Agora são 5 horas e 40 minutos trancado e uma coisa realmente assustadora está acontecendo, ouço passos no chão de madeira do quarto, são pisadas fortes, procuro mas não vejo ninguém as pessoas que estavam falando agora gritam, ainda não entendo nada do que ela dizem mas, por vez ou outra ouço meu nome.
Descobri que quem está andando no meu quarto é um homem, ele está chorando e de vez e quando ele também fala meu nome, estou muito assustado.
SEXTA HORA
Resolvi que vou sair do quarto as pessoas e o homem chorando, que agora está correndo, gritam em coro o meu nome, mas gritam de uma forma que representa muita dor, o barulho do relógio é ensurdecedor, decidi vou sair, estou com muito medo.
Eu não acredito, a porta está trancada, não pode ser, eu só fechei ela, não tinha chave, mas ela está trancada, não pode ser isso não é verdade, eu só posso estar sonhando.
Eu quero sair daqui as pessoas não para de lamentar o meu nome e o homem chorando também, ele está se jogando de encontro a parede, e dá gritos horríveis quando se choca com ela parece que está muito machucado, eu apenas imagino isso pois, não vejo nada, apenas ouço. Ele acabou de dizer que a culpa é toda minha.
SÉTIMA HORA
Todo o barulho acabou, eu nem acredito, estava a ponto de ficar louco, até o barulho do relógio voltou ao normal, tento abrir a porta de novo mas ela realmente está trancada, na verdade se não fosse o trinco eu diria que não há porta, pois não consigo ver o seu formato ou batente, isso é muito assustador.
Estou exausto essas duas últimas horas de terror minaram as minhas energias, acho que vou aproveitar e dormir, porque estou muito cansado mesmo.
OITAVA HORA
Acordo assustado com o barulho de um tiro de revólver que se assemelha muito à 9 mm que meu pai tem, há uma questão martelando em minha cabeça, será que sou feliz?
Parece que estou sob efeito de algum tranquilizante muito ou forte, me sinto como se tivesse fumado maconha mas, tive um sonho muito bom, lembranças boas da minha infância, dos antigos amigos, sonhei com coisas boas acontecendo comigo no futuro, estou em paz.
Apesar do medo que passei até aqui, sinto que as coisas podem dar certo afinal...
NONA HORA
Eu não aguento mais isso, esse relógio maldito não para nunca com o seu barulho, não suporto mais ficar aqui dentro sem fazer nada apenas sentado, eu vou sair, vou dar um jeito de derrubar aquela porta.
Não posso ficar parado, eu tenho que sair daqui, não sei porque mas estou chorando copiosamente resolvi que vou começar a correr aqui dentro deste quarto, quem sabe alguma boa ideia me vem a cabeça.
DÉCIMA HORA
Estou muito machucado, tentei em vão derrubar aquela porta mas, a única coisa que consegui foi um corte na cabeça e acho que quebrei algumas costelas enquanto me jogava de encontro a porta, estou com muita dor.
Depois em um acesso de raiva comecei a esmurrar as paredes, minha mãos estão todas machucadas e ensanguentadas, estou muito arrependido de fazer esse experimento.
Se passaram 10 horas e 33 minutos, os barulhos começaram de novo mas agora são diferentes, são batidas nas paredes, crianças chorando... eu não aguento mais isso.
DÉCIMA PRIMEIRA HORA
A luz da vela apagou, me esqueci completamente disso deveria ter pego uma vela muito maior, meu
Deus está tudo escuro não enxergo nada, nunca senti tanto medo na minha vida, com certeza tudo isso foi uma ideia terrível. Os barulhos se misturaram todos agora é apenas um zumbido ensurdecedor, sinto que vou enlouquecer.
DÉCIMA SEGUNDA HORA
Por algum milagre a vela se ascendeu sozinha apenas o pavio está queimando, não sei explicar isso mas a luz voltou e os barulhos cessaram, fazias horas que eu não me sentia tão bem, o silêncio é reconfortante mas, alguma coisa dentro de mim me diz que isso não vai durar muito tempo.
Resolvo dormir de novo, estou mais cansado do que nunca.
DÉCIMA TERCEIRA HORA
Eu tive um pesadelo terrível, assustador, horrível, na verdade não existem palavras pra descrever o que eu vi enquanto dormia.
Enxerguei o inferno, pessoas sendo decapitadas, esfoladas vivas, eu vi homens fazerem atrocidades com indefesas garotinhas, torturas das mais variadas formas e crueldades.
Eu vi a mim mesmo matando de forma doentia as pessoas que amo, foi terrível parece que fiquei anos preso nesse inferno de tormentos e agora que acordei não consigo tirar essas imagens da minha cabeça, eu choro, choro todo o liquido do meu corpo, estou desesperado, minha alma está quebrada ao meio, acho que a loucura está tomando conta do meu corpo e da minha alma.
DÉCIMA QUARTA HORA
Eu continuo chorando, os meus soluços tomam conta de todo o quarto, nunca vou me recuperar disso.
DÉCIMA QUINTA HORA
Agora estou conversando com o Rafael, um amigo dos tempos de colégio que não via há muitos anos, na verdade não consigo vê-lo mas, ele está aqui falando comigo, me sinto protegido agora.
Ele me disse pra eu perguntar qualquer coisa que me responderá.
Pergunto sobre várias coisa da minha vida e ele responde tudo exatamente como é... parece estranho mas eu não me sinto bem com isso, ele sabendo tanto sobre mim.
O Rafael começou a falar coisas terríveis de minha pessoa , atitudes que eu fiz que magoaram e feriram as pessoas, eu não sabia que tinha feito tão mal a elas, nunca foi minha intenção.
Ele também está falando de outras atitudes que tomarei no futuro e que farão um mal pior as pessoas que conheço e que não conheço.
Eu digo que é mentira e mando ele calar a boca, apesar de não enxerga-lo sinto como se fosse um pontapé nas minhas costelas já quebradas a dor é indescritível além de surgirem outras costelas fraturadas.
Apesar dos meus gritos de agonia Rafael volta a falar coisas terríveis do meu caráter , e o que me deixa mais aterrorizado é que lá no fundo eu sei que tudo é verdade.
Ele foi embora e me deixou aqui com a alma destroçada, descobri que muita coisa que fiz quando mais jovem foi apenas o inicio da desgraça na vida de muitas pessoas, estou desolado
DÉCIMA SEXTA HORA
Agora meus pais estão aqui também não posso ver eles apenas escutar. Eles começam a me perguntar coisas da minha vida ou coisas que partilhamos juntos, me sinto bem.
Meu pai me perguntou se eu já usei drogas fico calado, estou com muita vergonha. Ele repetiu a pergunta e eu não respondi então comecei a sentir uma imensa dor em todo o meu corpo como se estivesse recebendo inúmeras facadas , queimaduras, fraturas, uma dor imensamente pior que as minhas costelas quebradas, meus pais dizem para eu responder a pergunta, então eu respondo que sim, eu já tinha usado drogas e a dor para.
Agora sei que se não responder suas perguntas a dor voltará e decido que não vou cometer de novo o mesmo erro. Mas eles perguntam coisas que eu escondia lá no fundo do meu ser, é difícil dar as respostas e, as ondas de dores bestias continuam durante vários minutos até eu responder tudo que eles querem.
Tentei mentir diante de uma pergunta, eles sabem quando minto e a dor vem novo pior que antes, respondo sinceramente e a dor para.
Os dois se despediram e foram embora, agora além de estar com a alma destroçada e a loucura cada vez mais presente meu corpo está quebrado.
DÉCIMA SÉTIMA HORA
Agora quem está aqui é um amigo meu de tempos atuais não sei se fico feliz ou com mais medo ainda.
Ele me pergunta como nos conhecemos eu respondo resumidamente.
Então o inferno, novamente a dor, eu grito e peço para parar, ele exige que eu responda em todos os detalhes como nos conhecemos, eu tento puxar da memória mas, é difícil pensar com todo o seu corpo sendo esmagado e partido a meio ao mesmo tempo.
Durante todo o tempo que ele ficou aqui, fui torturado de todas as formas possíveis, por não responder as suas perguntas da forma correta, agora que ele foi embora desabo em um pranto inconsolável.
DÉCIMA OITAVA HORA
Quem esteve aqui comigo agora foi a primeira garota que eu amei.
Estou cansado de mais para escrever, apenas digo que o que ela fez comigo não foi diferente do que meus pais ou meu amigo fizeram.
Eu não consigo mais chorar, acabaram-se as lágrimas, acho que estou prestes a morrer.
DÉCIMA NONA HORA
Eu não acredito no que está acontecendo, estou falando comigo mesmo, a minha imagem refletida na minha frente diz coisas horrorosas pra mim.
Nós dois discutimos, ofensas, violência física, mas como eu estou em um estado físico deplorável é óbvio que tomei uma surra do meu outro eu, socos, pontapés, não sei como ainda estou vivo tenho certeza que todos os meus ossos estão quebrados, todos os meus órgão interiores destruídos, a dor que sinto é algo quase que sem explicação.
Estou jogado em um canto, nem sei mais se realmente estou escrevendo isso, talvez sejam só meus pensamentos.
O meu outro eu continua a falar atrocidades de coisas que fiz ou vou fazer, ele fala como daqui há alguns anos vou sofrer um acidente de carro e ficar em estado vegetativo e de como eu viverei anos assim nessa condição apenas sonhando com o dia da minha morte.
O meu outro eu foi embora, tomara que eu morra agora.
VIGÉSIMA HORA
Eu consegui me sentar, de repente um revolver surge na minha frente.
Faz dez minutos que estou olhando para o revolver, eu sei o que é isso, eu desejei a minha morte e esse revolver apareceu para me ajudar mas, descubro que sou covarde e não faço isso.
Agora tem uma faca na minha frente eu a pego e como forma de me punir por não conseguir cometer o suicídio começo a me cortar, arrancar pedaços de pele, arranco uma das minhas orelhas, não sinto dor apenas uma imensa angústia.
Surgiu um alicate, com ele arranco todos os meus dentes e minhas unhas, com a faca eu tiro quase todo meu couro cabeludo, a agonia se transforma em desespero e começo a me mutilar de todas as formas que consigo.
Durante toda essa hora me machuquei o máximo que consegui, sinceramente nem me preocupo mais em pensar como ainda estou vivo.
Agora surgiu um enorme espelho na minha frente e o que vejo refletido é um monstro sem cabelo e com o crânio a mostra, sem dentes, o meu olho esquerdo está no chão, eu mesmo o retirei com a ajuda da faca, um liquido escuro escorre do buraco que ficou, pareço mais um defunto em estado de decomposição, o quarto todo cheira a sangue coagulado, urina e fezes.
Por incrível que pareça eu vejo meu reflexo dando um sorriso.
VIGÉSIMA PRIMEIRA HORA
Deitado no chão semiconsciente começo a escutar uma música.
É um canto de igreja, cantos gregorianos, é tudo muito lindo, me sinto em paz.
Não sei como mas toda a dor termina, olho pro espelho e todos as minha feridas e machucados sumiram.
A música continua e eu começo a me embalar pra frente e pra trás sempre olhando fixamente para a vela.
VIGÉSIMA SEGUNDA HORA
A música parou, agora quem começa a cantar sou eu, pareço cantar os mesmos cantos de igreja de antes mas, não tenho certeza, não entendo nada apenas canto.
Tirando isso o silêncio reina absoluto dentro do quarto.
Não estou feliz nem triste, na verdade não sinto nada, apenas respiro.
VIGÉSIMA TERCEIRA HORA
Não canto, não faço nada, o silêncio reina absoluto, quebrado apenas pelo TIC TAC do relógio, olho para ele, 23 horas e 30 minutos que estou aqui dentro deste inferno, parece que fazem anos. Só agora começo a perceber que isso aqui tudo está chegando perto do fim.
VIGÉSIMA QUARTA HORA
O relógio para de trabalhar, uma luz muita forte dentro do quarto me cega e alguém muito pesado fica sobre o meu peito, é difícil de respirar. Parece ser um homem, porém sua voz se assemelha ao som gutural de um animal aterrador mas, Ele não está zangado parece tranquilo. Eu tenho certeza que é Deus.
Ele me faz inúmeras perguntas de 5 em 5 minutos, eu não me lembro delas, só me lembro que respondo sim ou não, na verdade me lembro de apenas uma questão... Todo o tempo ele fica em cima de mim me pressionando. Porém nada enxergo pois a luz que emana dele me cega totalmente.
Até que tudo termina tão abruptamente como começou, Ele vai embora, a luz que me cegava vai junto, o relógio começa de novo seu infernal barulho característico, TIC TAC TIC TAC...
A porta do quarto se abre, eu saio para fora, nem acredito que estou em casa de novo, não sinto nenhuma dor física, meu corpo está recuperado e saudável mas minha sanidade e minha alma não. Sofri todo o tipo de tortura física e psicológica, e isso é algo com o qual não consigo viver.
Me lembro que o meu pai esconde uma arma em cima do guarda-roupa do seu quarto. Vou até lá e, depois de procurar um instante eu a encontro, por algum motivo ou por uma pequena luz de sanidade acho melhor não sujar o carpete da casa com meu sangue, por isso me dirijo até o banheiro.
Me ajoelho dentro do box do chuveiro, coloco a arma na boca, e começo a pensar, do porque de tudo isso, minha intenção em essa experiência macabra era de ver se podia ver ou falar com Deus, bem eu não pude vê-lo, apenas ouvi suas perguntas, mas não me lembro de nada que me falou, com exceção de uma coisa:
- Você é feliz?
- Não.
O que significa isso, por que só me lembro dessa pergunta?
Depois de meia hora ajoelhado dentro do banheiro e com o cano da 9 mm dentro da boca, desisto de tentar descobrir o que significou tudo o que passei e, com as últimas lágrimas que me restam a escorrer pela minha face puxo o gatilho...
OITAVA HORA
Acordo assustado com o barulho de um tiro de revólver que se assemelha muito à 9 mm que meu pai tem, há uma questão martelando em minha cabeça, será que sou feliz?
Parece que estou sob efeito de algum tranquilizante muito ou forte, me sinto como se tivesse fumado maconha mas, tive um sonho muito bom, lembranças boas da minha infância, dos antigos amigos, sonhei com coisas boas acontecendo comigo no futuro, estou em paz.
Apesar do medo que passei até aqui, sinto que as coisas podem dar certo afinal...
AMÉM
by Fernando Barbosa
Perseguidora: Ode à Morte
A morte caminha sôfrega e com passos indecisos atrás de mim
Por vezes quase chega a tocar sua mão mortal em meu ombro
Em outros momentos mal consegue me ver por tão distante eu estar
E está sempre me chamando
Gritando... Gritando em altos brados o meu nome
Mas quando muito perto ela se encontra
Apenas sussurra a minha graça
Um sussurro de tal maneira insinuante
Que por muitas vezes pensei em virar-me na sua direção
E abraça-la para que pudesse dar-me sua benção
Carregando assim minha alma para fora deste mundo morto
Que tanto à ela se assemelha
Mas por mais cativante que seja seu convite
Sempre supero tal desejo interior
Deixo ela sempre a me seguir
Deixo ela sempre a me convidar
Ainda que minha vida seja repleta de amores perdidos
Um belo motivo para a morte eu aceitar
Continuo minha estrada sendo por ela seguido
Sabendo que um dia sua mão irá me alcançar.
by Fernando Barbosa
Por vezes quase chega a tocar sua mão mortal em meu ombro
Em outros momentos mal consegue me ver por tão distante eu estar
E está sempre me chamando
Gritando... Gritando em altos brados o meu nome
Mas quando muito perto ela se encontra
Apenas sussurra a minha graça
Um sussurro de tal maneira insinuante
Que por muitas vezes pensei em virar-me na sua direção
E abraça-la para que pudesse dar-me sua benção
Carregando assim minha alma para fora deste mundo morto
Que tanto à ela se assemelha
Mas por mais cativante que seja seu convite
Sempre supero tal desejo interior
Deixo ela sempre a me seguir
Deixo ela sempre a me convidar
Ainda que minha vida seja repleta de amores perdidos
Um belo motivo para a morte eu aceitar
Continuo minha estrada sendo por ela seguido
Sabendo que um dia sua mão irá me alcançar.
by Fernando Barbosa
sábado, 22 de junho de 2013
Minha visão: O Brasil acordou !
Esta semana de junho que vivemos com certeza será muito lembrada nos livros de história do futuro, é uma semana que ficará marcada como o inicio da revolução feita total e exclusivamente pelo povo, o mesmo povo que durante décadas e mais décadas além de agir sempre de forma alienada fazia piadas sobre a própria desgraça.
Talvez essa seja a razão de tantos protestos nas ruas e o término do silêncio por parte de população, foram mitos anos de corrupção e arbitrariedades sem nada ser questionado, tudo tem um limite e a paciência dos brasileiros chegou no seu.
Muito também devido aos gastos espetaculares para a realização da copa do mundo, uma copa que até agora custou aos nossos bolsos 33 bilhões de reais isso mesmo vou repetir 33 BILHÕES de reais, nem juntando os gastos das últimas três Copas conseguiremos chegar a esse valor, sendo que o governo Lula tinha prometido que os gastos seriam quase que inteiramente financiado pela iniciativa privada mas o que aconteceu foi justamente o contrário a participação de bens privados é rídicula ou seja além do povo não contar com saúde de verdade, a que nós temos é comparada a uma fazenda do século XVI, um transporte público que mais deveria ser chamado de transporte animal além de ser um dos mais caros do mundo, na área da educação o que temos são crianças e jovens indo as escolas apenas para garantir presença já que ao que parece este é o único quesito para ser aprovado, estradas miseráveis que se tornaram assassinas pois não tem a manutenção adequada, além de ter que conviver com toda essa falta de respeito, temos que pagar dezenas de bilhões de reais para financiar uma Copa do mundo de futebol que não traz nada de proveitoso para aos brasileiros.
Convivemos com um governo mentiroso hipócrita que a todo o momento tenta, e na grande maioria das vezes consegue, enganar o povo, com políticos que não tem compromisso nenhum para com as pessoas que lhes deram os seus votos ou naqueles que esperam alguma coisa deles, governos mal preparados e mal intencionados que o que sabem fazer de melhor é desviar dinheiro público para dentro de suas carteiras esses mesmo políticos que pegam o nosso dinheiro para passar as férias com suas famílias na Europa ou Estados Unidos ou qualquer parte do mundo não interessa dinheiro tem de sobra, vemos todos os anos obras e mais obras que custam milhões aos cofres públicos serem começadas e não sendo terminadas.
Há deputados criando leis malucas sem nexo, projetos de lei absurdos como a PEC37 que nada mais é a forma que eles arranjaram de terminar com o poder do ministério Público de investiga-los e, quando eu digo eles estou falando dos vagabundos, safados, ladrões... de Brasília, temos que suportar um escroto chamado Marcos Feliciano, que durante anos e mais anos de sua vida a única coisa que fez foi roubar dinheiro dos malditos idiotas que acreditavam em todas as suas balelas como pastor, sendo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados, uma pessoa racista homofóbica que prega aos quatro ventos que homossexualismo é uma doença e que tem cura.
temos que ver todos os dias notícias de como o Brasil é o país no mundo que mais arrecada impostos no mundo, para vocês terem uma idéia nos últimos 17 meses , ou seja, todo o ano de 2012 e os primeiros seis meses deste 2013, foram arrecadados mais de 2,2 trilhões de reais em impostos, sim 2,2 TRILHÕES de reais, dinheiro que nunca aparece.
É por tudo isso e mais, muito mais, que nós saímos as ruas, pois acabou o tempo da roubalheira acontecer a torto e a direito neste país sem nada ser feito por seus filhos, terminou o descanso desses malditos covardes que só fazem roubar e mentir para as pessoas que os elegeram, não aguentamos mais trabalhar 4 meses todos os anos apenas para pagar impostos, dinheiro esse que some, chega de pais gastarem verdadeiras fortunas para verem o seus filhos terem uma educação ridículas nas nossas escolas largada as traças, é por isso que vamos as ruas pois cansamos de olhar a forma como o governo e a mídia manipulam e escondem a verdadeira cara do Brasil para o exterior, vamos as ruas não apenas por míseros centavos nas nossa escrota mobilidade pública, saímos para protestar porque todas as gerações antes das nossas foram tratadas como idiotas sem ideias e desunidos, enfrentamos chuva, vento, frio, balas de borracha, bombas de efeito moral, cacetetes, sprays de pimenta nos nossos protestos populares porque é mil vezes preferível isso do que ficar em casa e ver os desgraçados políticos de Brasília se esbaldando com o nosso dinheiro, enquanto nós verdadeiros brasileiros mal temos dinheiro para pagar a conta de energia elétrica, a mesma energia elétrica que teve a promessa da nossa "querida" presidente Dilma no começo do ano de diminuição no valor... mentiras e mais mentiras!!!!! Uma rede imensa de mentiras todas orquestradas e direcionadas pela mulher que dirige o Planalto, mentiras como as do dia 21/06/2013 que foram ao ar em rede nacional pela boca dessa mulher , tudo isso apenas para tentar acalmar os ânimos da população... mas o povo deixou der idiota presidente Dilma Roussef, não caíremos mais em suas lorotas continuaremos indo as ruas gritar até que não haja fôlego, gritar até que nossos pulmões estourem mas não vamos parar.
Vamos mostrar para esses bandidos que não há força no mundo capaz de conter a força de um povo unido em um só ideal, enquanto a mídia tenta manipular os fatos dando mais atenção aos atos de vandalismos do que as manifestações em si, nós vamos continuar nas ruas até o fim dos tempos se for preciso para mudar esse país e fazer com que esses políticos desgraçados saibam que daqui pra frente tudo o que eles fizerem será questionado pelo povo e, que se não estiver de acordo protestará e irá para a luta, fazendo de tudo para mudar o que está errado.
Minha visão sobre tudo isso? Acabou a desordem agora o povo manda, o povo conduz e ai de quem pensar diferente disso agora... O BRASIL ACORDOU!!!!!
Talvez essa seja a razão de tantos protestos nas ruas e o término do silêncio por parte de população, foram mitos anos de corrupção e arbitrariedades sem nada ser questionado, tudo tem um limite e a paciência dos brasileiros chegou no seu.
Muito também devido aos gastos espetaculares para a realização da copa do mundo, uma copa que até agora custou aos nossos bolsos 33 bilhões de reais isso mesmo vou repetir 33 BILHÕES de reais, nem juntando os gastos das últimas três Copas conseguiremos chegar a esse valor, sendo que o governo Lula tinha prometido que os gastos seriam quase que inteiramente financiado pela iniciativa privada mas o que aconteceu foi justamente o contrário a participação de bens privados é rídicula ou seja além do povo não contar com saúde de verdade, a que nós temos é comparada a uma fazenda do século XVI, um transporte público que mais deveria ser chamado de transporte animal além de ser um dos mais caros do mundo, na área da educação o que temos são crianças e jovens indo as escolas apenas para garantir presença já que ao que parece este é o único quesito para ser aprovado, estradas miseráveis que se tornaram assassinas pois não tem a manutenção adequada, além de ter que conviver com toda essa falta de respeito, temos que pagar dezenas de bilhões de reais para financiar uma Copa do mundo de futebol que não traz nada de proveitoso para aos brasileiros.
Convivemos com um governo mentiroso hipócrita que a todo o momento tenta, e na grande maioria das vezes consegue, enganar o povo, com políticos que não tem compromisso nenhum para com as pessoas que lhes deram os seus votos ou naqueles que esperam alguma coisa deles, governos mal preparados e mal intencionados que o que sabem fazer de melhor é desviar dinheiro público para dentro de suas carteiras esses mesmo políticos que pegam o nosso dinheiro para passar as férias com suas famílias na Europa ou Estados Unidos ou qualquer parte do mundo não interessa dinheiro tem de sobra, vemos todos os anos obras e mais obras que custam milhões aos cofres públicos serem começadas e não sendo terminadas.
Há deputados criando leis malucas sem nexo, projetos de lei absurdos como a PEC37 que nada mais é a forma que eles arranjaram de terminar com o poder do ministério Público de investiga-los e, quando eu digo eles estou falando dos vagabundos, safados, ladrões... de Brasília, temos que suportar um escroto chamado Marcos Feliciano, que durante anos e mais anos de sua vida a única coisa que fez foi roubar dinheiro dos malditos idiotas que acreditavam em todas as suas balelas como pastor, sendo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados, uma pessoa racista homofóbica que prega aos quatro ventos que homossexualismo é uma doença e que tem cura.
temos que ver todos os dias notícias de como o Brasil é o país no mundo que mais arrecada impostos no mundo, para vocês terem uma idéia nos últimos 17 meses , ou seja, todo o ano de 2012 e os primeiros seis meses deste 2013, foram arrecadados mais de 2,2 trilhões de reais em impostos, sim 2,2 TRILHÕES de reais, dinheiro que nunca aparece.
É por tudo isso e mais, muito mais, que nós saímos as ruas, pois acabou o tempo da roubalheira acontecer a torto e a direito neste país sem nada ser feito por seus filhos, terminou o descanso desses malditos covardes que só fazem roubar e mentir para as pessoas que os elegeram, não aguentamos mais trabalhar 4 meses todos os anos apenas para pagar impostos, dinheiro esse que some, chega de pais gastarem verdadeiras fortunas para verem o seus filhos terem uma educação ridículas nas nossas escolas largada as traças, é por isso que vamos as ruas pois cansamos de olhar a forma como o governo e a mídia manipulam e escondem a verdadeira cara do Brasil para o exterior, vamos as ruas não apenas por míseros centavos nas nossa escrota mobilidade pública, saímos para protestar porque todas as gerações antes das nossas foram tratadas como idiotas sem ideias e desunidos, enfrentamos chuva, vento, frio, balas de borracha, bombas de efeito moral, cacetetes, sprays de pimenta nos nossos protestos populares porque é mil vezes preferível isso do que ficar em casa e ver os desgraçados políticos de Brasília se esbaldando com o nosso dinheiro, enquanto nós verdadeiros brasileiros mal temos dinheiro para pagar a conta de energia elétrica, a mesma energia elétrica que teve a promessa da nossa "querida" presidente Dilma no começo do ano de diminuição no valor... mentiras e mais mentiras!!!!! Uma rede imensa de mentiras todas orquestradas e direcionadas pela mulher que dirige o Planalto, mentiras como as do dia 21/06/2013 que foram ao ar em rede nacional pela boca dessa mulher , tudo isso apenas para tentar acalmar os ânimos da população... mas o povo deixou der idiota presidente Dilma Roussef, não caíremos mais em suas lorotas continuaremos indo as ruas gritar até que não haja fôlego, gritar até que nossos pulmões estourem mas não vamos parar.
Vamos mostrar para esses bandidos que não há força no mundo capaz de conter a força de um povo unido em um só ideal, enquanto a mídia tenta manipular os fatos dando mais atenção aos atos de vandalismos do que as manifestações em si, nós vamos continuar nas ruas até o fim dos tempos se for preciso para mudar esse país e fazer com que esses políticos desgraçados saibam que daqui pra frente tudo o que eles fizerem será questionado pelo povo e, que se não estiver de acordo protestará e irá para a luta, fazendo de tudo para mudar o que está errado.
Minha visão sobre tudo isso? Acabou a desordem agora o povo manda, o povo conduz e ai de quem pensar diferente disso agora... O BRASIL ACORDOU!!!!!
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Noite de sábado livre
Noite fria, noite gelada
luzes artificiais
não há festa na cidade
pois com o fim da amizade
meu divertimento acabou
olhando na TV
programas idiotas
descubro que eles só existem
por que há um público idiota muito grande
eu sei que sou idiota
mas isso nunca será fácil
o relógio me diz que tenho de dormir
mas eu nunca fui uma pessoa de obedecer
MÍSEROS PONTEIROS
e adivinha não vai ser
agora
que
vou começar
a
obedecer
VIVA!!!!! VIVA a revolta contra o tempo!!!!
MALDITOS!!!! malditos doze números nos dizendo
quando envelhecer
quando morrer
o tempo pode até controlar o meu corpo
mas minha alma
será
sempre
o retrato
da liberdade
a liberdade que não precisei conquistar
NUNCA chorei, NUNCA implorei
NUNCA lutei por ela
sempre esteve lá e tão certo
quanto o Sol que mata a noite
só vou dormir por que estou com sono
ouviram míseros ponteiros?
by fernando barbosa
luzes artificiais
não há festa na cidade
pois com o fim da amizade
meu divertimento acabou
olhando na TV
programas idiotas
descubro que eles só existem
por que há um público idiota muito grande
eu sei que sou idiota
mas isso nunca será fácil
o relógio me diz que tenho de dormir
mas eu nunca fui uma pessoa de obedecer
MÍSEROS PONTEIROS
e adivinha não vai ser
agora
que
vou começar
a
obedecer
VIVA!!!!! VIVA a revolta contra o tempo!!!!
MALDITOS!!!! malditos doze números nos dizendo
quando envelhecer
quando morrer
o tempo pode até controlar o meu corpo
mas minha alma
será
sempre
o retrato
da liberdade
a liberdade que não precisei conquistar
NUNCA chorei, NUNCA implorei
NUNCA lutei por ela
sempre esteve lá e tão certo
quanto o Sol que mata a noite
só vou dormir por que estou com sono
ouviram míseros ponteiros?
by fernando barbosa
Hidrofobia
Hidrofobia
PRIMEIRA CENA
Restaurante, o Amigo chega e pede uma mesa para dois, o garçom o encaminha até a mesa, depois de instalado o cliente pede apenas uma mesa enquanto espera o outro que ainda não chegou, garçom sai e vai busar a água.
Algum tempo depois, atrasado, o Outro chega no restaurante, o Amigo acena para ele que se encaminhe para à mesa.Os dois se cumprimentam e começam a conversar.
- Desculpa aí cara meu atraso mas, tive um problema.
- Não se preocupa não foi tanto tempo também mas, que tipo de problema?
Ele fica um pouco nervoso e olha para os lados:
- Bem na verdade é uma longa história, uma fobia que eu tenho desde que eu me lembro.
O Amigo o olha de forma interrogativa:
- Mas que tipo de fobia? Pode contar.
O Outro dá um suspiro e olha bem nos olhos do amigo:
- Eu tenho medo de água.
Com um olhar de estranheza e um pequeno sorriso o Amigo fala:
- Ahhh tipo hidrofobia?
- É cara mas, o meu medo é meio bizarro... eu tenho um medo enorme de concentrações de água...
- Entendi, tipo ir pra praia e ficar com medo de entrar na água, no mar.
- É... mas não é só o mar que me dá medo, até algo menor que um oceano...
- Sei, sei, quer dizer um rio também?
- É mas menos quantidade de água também...
Já começando a achar aquilo estranho o Amigo pergunta:
- Um lago?
- Menos...
- Uma piscina?
- (suspiro) Menos...
Diante do olhar de surpresa do Amigo o Outro fala:
- Cara eu te falei que meu medo era bizarro.
-Tá bom cara... então tipo menos que uma piscina... uma caixa d'água?
Com cara de dificuldade o outro fala:
- Menos...
O Amigo o olha da forma mais interrogativa possível e, quando ia fazer um comentário qualquer sobre a estranheza do fato o garçom chega com a água que o amigo tinha pedido e, a coloca sobre a mesa.
- Sua água senhor.
O Outro ao ver aquela garrafinha de água na sua frente coloca as duas mãos sobre o rosto e começa a gritar desesperadamente:
- AHHHH... AI MEU DEUS, MEU DEUS... TIRA ISSO DAQUI, TIRA... AI, AI, AI, AI, SOCORRO, SOCORRO... AHHHHH!!!!!!!!!!
O Amigo e o garçom se olham não acreditando no que estão vendo e voltam a olhar para o Outro que continua a gritar de pavor.
SEGUNDA CENA
Ainda no restaurante, depois do outro já ter se acalmado, e a água ser retirada o Amigo fica observando-o enquanto ele está debruçado sobre os braços:
- E ae meu tá melhor?
O outro levanta a cabeça e o olha de forma cansada:
- Sim cara tô melhor.
- Nossa, realmente é muito bizarro esse teu medo.
- Pois é, eu te falei, é um problema que sempre fez parte de mim.
O Amigo sente pena do Outro mas, de repente uma questão lhe surge na mente:
- Cara... e como é que você faz para tomar banho?
O Outro se recosta na cadeira e olha para o vazio:
- Cara... - ainda olhando para o vazio, com vontade de fumar um cigarro, ele dá um suspiro e volta a olhar para o Amigo - É bem difícil...
TERCEIRA CENA
FLASHBACK
Casa do Outro, escuta-se barulho de gritos vindo do banheiro, enquanto se avança pela casa os gritos aumentam, ao chegar no banheiro pode-se ver o Outro tomando banho com cabeça cheia de espuma enquanto passa o sabonete debaixo dos braço, em todo o tempo ele fica gritando enlouquecidamente:
- AHHHHH... AI AI AI AI, SOCORRO MEU DEUS, AHH AHHH... EU VOU MORRER, EU VOU MORRER!!!!! AHHHHHHHHHH!!!!!
QUARTA CENA
Novamente no restaurante o Amigo olha para o Outro de forma estupefata, não conseguindo acreditar em tudo aquilo e, só uma única coisa que ele consegue falar:
- Nossa.
- É cara nem me fale... porque você acha que cheguei atrasado.
FIM
by Fernando Barbosa
PRIMEIRA CENA
Restaurante, o Amigo chega e pede uma mesa para dois, o garçom o encaminha até a mesa, depois de instalado o cliente pede apenas uma mesa enquanto espera o outro que ainda não chegou, garçom sai e vai busar a água.
Algum tempo depois, atrasado, o Outro chega no restaurante, o Amigo acena para ele que se encaminhe para à mesa.Os dois se cumprimentam e começam a conversar.
- Desculpa aí cara meu atraso mas, tive um problema.
- Não se preocupa não foi tanto tempo também mas, que tipo de problema?
Ele fica um pouco nervoso e olha para os lados:
- Bem na verdade é uma longa história, uma fobia que eu tenho desde que eu me lembro.
O Amigo o olha de forma interrogativa:
- Mas que tipo de fobia? Pode contar.
O Outro dá um suspiro e olha bem nos olhos do amigo:
- Eu tenho medo de água.
Com um olhar de estranheza e um pequeno sorriso o Amigo fala:
- Ahhh tipo hidrofobia?
- É cara mas, o meu medo é meio bizarro... eu tenho um medo enorme de concentrações de água...
- Entendi, tipo ir pra praia e ficar com medo de entrar na água, no mar.
- É... mas não é só o mar que me dá medo, até algo menor que um oceano...
- Sei, sei, quer dizer um rio também?
- É mas menos quantidade de água também...
Já começando a achar aquilo estranho o Amigo pergunta:
- Um lago?
- Menos...
- Uma piscina?
- (suspiro) Menos...
Diante do olhar de surpresa do Amigo o Outro fala:
- Cara eu te falei que meu medo era bizarro.
-Tá bom cara... então tipo menos que uma piscina... uma caixa d'água?
Com cara de dificuldade o outro fala:
- Menos...
O Amigo o olha da forma mais interrogativa possível e, quando ia fazer um comentário qualquer sobre a estranheza do fato o garçom chega com a água que o amigo tinha pedido e, a coloca sobre a mesa.
- Sua água senhor.
O Outro ao ver aquela garrafinha de água na sua frente coloca as duas mãos sobre o rosto e começa a gritar desesperadamente:
- AHHHH... AI MEU DEUS, MEU DEUS... TIRA ISSO DAQUI, TIRA... AI, AI, AI, AI, SOCORRO, SOCORRO... AHHHHH!!!!!!!!!!
O Amigo e o garçom se olham não acreditando no que estão vendo e voltam a olhar para o Outro que continua a gritar de pavor.
SEGUNDA CENA
Ainda no restaurante, depois do outro já ter se acalmado, e a água ser retirada o Amigo fica observando-o enquanto ele está debruçado sobre os braços:
- E ae meu tá melhor?
O outro levanta a cabeça e o olha de forma cansada:
- Sim cara tô melhor.
- Nossa, realmente é muito bizarro esse teu medo.
- Pois é, eu te falei, é um problema que sempre fez parte de mim.
O Amigo sente pena do Outro mas, de repente uma questão lhe surge na mente:
- Cara... e como é que você faz para tomar banho?
O Outro se recosta na cadeira e olha para o vazio:
- Cara... - ainda olhando para o vazio, com vontade de fumar um cigarro, ele dá um suspiro e volta a olhar para o Amigo - É bem difícil...
TERCEIRA CENA
FLASHBACK
Casa do Outro, escuta-se barulho de gritos vindo do banheiro, enquanto se avança pela casa os gritos aumentam, ao chegar no banheiro pode-se ver o Outro tomando banho com cabeça cheia de espuma enquanto passa o sabonete debaixo dos braço, em todo o tempo ele fica gritando enlouquecidamente:
- AHHHHH... AI AI AI AI, SOCORRO MEU DEUS, AHH AHHH... EU VOU MORRER, EU VOU MORRER!!!!! AHHHHHHHHHH!!!!!
QUARTA CENA
Novamente no restaurante o Amigo olha para o Outro de forma estupefata, não conseguindo acreditar em tudo aquilo e, só uma única coisa que ele consegue falar:
- Nossa.
- É cara nem me fale... porque você acha que cheguei atrasado.
FIM
by Fernando Barbosa
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