Era uma noite fria e escura com um vento gelado, muito gelado, fora do normal parecia que cortava a pele, João estava na varanda de sua humilde casa fumando um cigarro e sentiu uma coisa estranha naquele vento um arrepio percorreu todo o seu corpo mas, aquele arrepio definitivamente não era de frio.
Deixe-me lhes apresentar o nosso personagem João, pai de família, três filhos e uma mulher, trabalhador e morador de uma favela uma pessoa comum, um cara comum. Apesar de parecer, na verdade ele não tem nada de comum, pode-se dizer que João é uma maravilha da natureza, um milagre em forma de homem na Terra. Não se preocupem já vou lhes explicar tudo.
Apesar de ser uma família muito pobre que passam por dificuldades financeiras desde o seu inicio,como por exemplo, cobertores para se agasalharem no inverno e por muitas vezes comida para matar a fome, a família de João é a família mais feliz do mundo, nada tira o sorriso de seus rostos, as crianças estão sempre alegres e faceiras e sua esposa se considera a pessoa mais feliz do mundo, apesar dos inúmeros problemas que os afligem e, o único responsável por tamanha felicidade é João.
Se vocês se lembram eu falei que João não era uma pessoa comum que ele era um milagre, pois bem João nasceu com uma particularidade muito especial, ele não chorava, isso mesmo, em toda a sua existência de 33 anos João nunca sequer derramou uma única gota de lágrima dos seus olhos, nem mesmo ao nascer, quando é típico dos bebês chorarem com toda a força de seus pulmões ora seja pela aquela palmada do médico e pela primeira vez usando suas narinas para sugar o oxigênio ou por estarem fora do ambiente quentinho e protetor que os abrigou durante, na maioria dos casos, por nove meses ou simplesmente eles choram para avisarem que a partir daquele dia eles estarão fazendo parte do mundo e de sua história e que um dia talvez eles farão algo grande e memorável, enfim nem mesmo num momento tão especial e arrebatador como o seu nascimento João chorou, nada nem uma minúscula partícula de água sairam dos olhos daquele bebê com o semblante impassível.
E conforme João foi envelhecendo essa sua particularidade o impedia de chorar mesmo que a vida lhe reservasse momentos em que um belo pranto caíria bem.
Não chorou quando caiu da árvore e quebrou o braço aos cinco anos, ou quando levou a primeira surra da qual ele se lembra e nem das outras que levou, .ou quando aos 9 anos sua mãe que ele tanto amava morreu, não chorou quando teve a primeira desilusão amorosa que todo o jovem garoto tem, nem mesmo caiu em pranto quando seu pai morreu e o deixou só no mundo com apenas 15 anos, em nenhum desses momentos João derramou uma única gota de lágrima.
E por mais que tentasse, chegou ao cúmulo de ficar um dia inteiro cheirando cebolas descascadas para provocar o pranto, ele não chorava e, conforme a sua vida foi passando ele foi se resignando quanto a isso e, com tempo simplesmente esqueceu, conheceu a sua esposa teve filhos e muitos anos se passaram sem que João se lembrasse que não podia chorar até que um dia ele percebeu que por mais difícil que fosse a sua vida a sua família estava sempre contente e feliz, foi então que depois de tantos anos ele entendeu, ele não chorava por um motivo, para fazer aqueles que amava felizes também, ele não sabia como mas, a sua total falta de lágrima nos olhos sugava a tristeza das pessoas e não deixava elas chorarem também.
E assim ele vivia feliz com a sua família, os anos passaram e a vida não poderia ser mais perfeita para João. E é assim que o encontramos fumando o seu cigarro na varanda de sua humilde casa sentindo aquele vento anormal que dá arrepios mas não arrepios de frio, uma sensação ruim e desconfortável toma conta de seu ser e ele resolve entrar e ir para a cama dormir. Sua esposa já está dormindo e não demora muito João também cai num sono pesado.
Em uma realidade paralela, num tempo que eu infelizmente não saberei explicar a vocês três espíritos superiores conversam sobre João, eles estão decepcionados e irritados com ele, pelo fato d'ele simplesmente ter nascido com um dom tão maravilhoso, sim não há nada mais maravilhoso do que não chorar e poder fazer as pessoas ao seu redor serem felizes e esquecerem das tristeza, e ele simplesmente usa isso em benefício próprio e de sua família da forma mais egoísta possível deixando de lado todas as pessoas que poderia ter ajudado.
E depois de muito observarem e confabularem sobre João esses tais espíritos superiores resolvem que João deve ser castigado, sim punido por tal insolência e, esse castigo virá em forma de lágrima, a lágrima que nunca caiu de seus olhos iria cair, da forma mais trágica possível e por ações do próprio João.
Bem voltemos a casa de nosso personagem ele está num sono profundo e está sonhando neste momento, nesse sonho ele é uma criança novamente e está brincando sozinho na frente de sua antiga casa quando de repente três garotos aparecem na sua frente estão todos vestidos de cinza e descalços João os olha curioso, os três o olham por um longo momento até que um deles fala:
- João - ele se espanta pelo fato daquele garoto saber o seu nome já que ele nunca os tinha visto na vida- nós sabemos que você não consegue chorar.
Espantado ele se levanta e pergunta num tom que representava um pouco de tensão:
- Como assim vocês sabem? como sabem o meu nome? quem são vocês?
Um outro garoto se adianta e fala:
- Nada disso importa, o que importa é que nós estamos aqui para te ajudar.
- Me ajudar, como assim?
Dessa vez o terceiro garoto fala:
- O fato de você não chorar na verdade é uma maldição que irá te destruir no futuro e por mais que você pense que seja uma coisa boa na verdade é um mal que deve acabar.
Dessa vez com muito medo João pergunta:
- Acabar, mas acabar como?
- Você deve chorar João.
- Mas eu já tentei, eu não consigo por mais que eu queira eu não consigo.
- Há apenas um jeito de você conseguir isso.
- Então me diga por favor me diga - o terror na sua voz era crescente.
- Na hora certa João você irá receber um sinal e, saberá o que fazer.
João acorda nesse instante muito assustado e suando bastante, ele se senta na cama e começa a pensar no sonho, de repente algo acontece e o medo toma conta de sua alma pois aquilo não foi um sonho e sim uma memória de um passado muito distante que há muito tempo, e ele não sabe como, estava escondida na sua mente.
Então ele começou a se recordar do que os garotos falaram, maldição, destruir, um mal que deve acabar, que ele deveria chorar, um sinal... mas que sinal? o que ele deveria fazer fazer? como ele poderia chorar? então como se fosse um estalo na sua cabeça, o vento, sim aquele vento, tinha algo de mal nele, ele trazia o cheiro da morte.
João olhou para o lado e viu a sua esposa dormindo tão serenamente e, tomado por uma loucura repentina que mesmo anos depois não saberia explicar o por quê. ele descobriu o que tinha o que fazer, foi até a cozinha, pegou uma faca voltou para cama e olhou mais uma vez pra sua esposa, ele a amava tanto mas, tinha que fazer, mesmo que isso não fizesse sentido nenhum para a sua mente.
A faca está no chão, a luz que vem da rua ilumina a sua lámina e o sangue que há nela indica que ela foi usada, João está com o corpo sem vida de sua mulher nos braços e, ele está chorando.
by Fernado Barbosa
terça-feira, 30 de outubro de 2012
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Viva como a mariposa
Vcs já notaram uma coisa? A gente vive preso em um eterno presente, entre as névoas das memórias do passado e, o mar de duvidas que é o futuro.Outro dia lendo não sei onde descobri que uma mariposa vive apenas um dia e esse dia pra ela é como se fosse um vida inteira pra nós,dezenas de anos em apenas um 24 horas.Por isso que eu digo viva e aproveite o seu dia, como disse o Robin Williams no filme A Sociedade dos Poetas Mortos "CARPIE DIEM" apenas faça como a mariposa, pois é hoje e agora que está toda a sua vida.
By Fernando Barbosa
By Fernando Barbosa
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