sábado, 7 de abril de 2012

Pâmela

Quando era um garoto de 16 anos eu amei pela primeira vez, um amor simples, puro e belo.Ela não era mais uma garota mas uma mulher, com 21 anos, uma mulher jovem, sim, mas com certeza não era mais uma garota.
Seu nome era Pâmela e era linda, tinha cabelos  negros tão negros como a noite mais escura do inverno mais rigoroso, seus olhos duas imensas lagoas verdes me faziam acreditar que anjos existem, a sua voz tinha o poder de me fazer esquecer de todas as coisas ruins que podiam existir e o seu perfume, um perfume amadeirado que me trazia um sorriso aos lábios sempre que o sentia, inconfundível, era parte dela e eu adorava.
Pâmela nunca soube do meu amor por ela pois eu na minha total falta de maturidade, muito frequentes nos adolescentes, sempre tive medo de me declarar, sim medo, eu preferia mil vezes sonhar com ela e nutrir esperanças impossíveis do que enfrentar uma recusa que com certeza aconteceria se declarasse tal amor.
Então certo dia nossos destinos se separaram e nunca mais a vi, no começo a dor do amor não correspondido doía muito, mas não mais do que a do arrependimento, devia ter dito tudo pensava mas, não disse e me achava um grande covarde o maior dos covardes, mas com o tempo essas dores foram diminuindo, a cada dia sentia menos saudades de Pâmela e me achava menos covarde.
Isso não quer dizer que não demorei anos para deixar de ama-la, e conforme os anos iam passando e o amor juvenil diminuindo as lembranças que tinha dela foram se pagando, como o incansável vento a  esmigalhar a rocha, o vento era o tempo e a rocha minhas memórias de Pâmela.
Primeiro foram os cabelos, me lembrava que eram negros claro mas acabei me esquecendo da sensação boa que sentia ao vê-los balançar ou quando ela os amarrava, depois vieram os seus olhos verdes, não me lembrava qual a emoção que eles me traziam e bem, hoje tenho certeza que anjos não existem, a sua voz também conheci tantas outras depois dela que sequer me lembro com era o timbre da sua, mas o perfume... ahhh esse ficou, seu cheiro amadeirado era inesquecível.
E foi graças ao perfume que outro dia eu a encontrei, fazendo algo tão banal como compras no supermercado, quando de repente senti aquele cheiro que eu tanto amei, então ali estava ela e todas as lembranças voltaram os cabelos negros agora estavam curtos mas ainda eram negros,seus olhos lindos e verdes e a voz também quando me reconheceu e disse que estava feliz em me ver de novo depois de tanto tempo mas, apenas as lembranças voltaram, não o amor.
Nos despedimos e cada um seguiu o seu rumo novamente então eu descobri que aquele garoto que tanto amou Pâmela não existia mais, só ele era capaz de ama-la pois era jovem,tolo, imaturo pensava que todas as coisas durariam para sempre tanto as amizades quanto os amores e, descobriu da forma mais espinhosa que isso não é verdade, como eu tenho pena dele mas, ao mesmo tempo... tanta inveja, ele a amou de verdade, porque os amores não precisam ser eternos para serem verdadeiros, e o seu, era simples, puro e belo como todo o amor deveria ser... simples, puro e belo.

by Fernando Barbosa

domingo, 1 de abril de 2012

Nas estradas sinuosas da vida

A vida é uma estrada cheia de bifurcações, com caminhos tortuosos que nos fazem pensar em desistir do percurso mas como todo o caminho tem que chegar à um lugar, eu sigo por essa estrada na esperança de quando chegar ao final do caminho toda a viagem tenha valido à pena.
Nas estradas sinuosas da vida eu sigo por vezes encontrando barreiras difíceis de transpor mas nunca impossíveis e, que Deus seja bondoso comigo e dê alguém que me acompanhe nesta viagem me ajude a construir a nossa própria estrada levando junto conosco nossos herdeiros e que eles sigam as sua próprias estradas.
E quando eu chegar no fim da minha estrada e olhar para trás espero que a visão que tiver seja de uma estrada cheias de pessoas as mesmas que eu amei, as que vou amar ainda e de momentos lindos e bons mas também  tenha momentos difíceis, rezo para que sejam poucos, mas que estejam lá pois, será também graças a eles que a minha caminhada me faça sentir que todos os passos tenham valido à pena.

by Fernando Barbosa