segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Qual é o seu inferno?

E então ele morreu, um homem que durante toda a sua vida tinha sido um pessoa má , partiu dessa em uma briga de bar com uma facada no pescoço, ora o que se esperar de um cara assim, que ande com outras pessoas tão más ou pior do que ele mas, enfim , no exato momento em que a  sua alma abriu os olhos do outro lado ele estava no inferno.
Muitos pensam que o inferno é um lugar que queima, parecido com uma caverna, cheio de demônios que te torturam por toda a eternidade, como por exemplo te esfolarem vivo um dia inteiro e, no final desse dia depois de uma horrível agonia extremamente dolorosa, quando você estiver como uma aparência animalesca com toda a sua pele caída a seus pés enrolada como se fosse uma roupa velha jogada em um canto, estes demônios te fazem voltar ao normal  só para que no outro dia eles possam fazer tudo de novo.
Como a imaginação das pessoas pode ser fértil... mas o inferno não é nada disso, você realmente quer saber como é o inferno? Pois bem eu vou lhe explicar, imagine a coisa que mais te traz tristeza na vida ou ódio ou medo, talvez aquela lembrança que você gostaria de esquecer porque te leva à  horrores do passado, um trauma que talvez nunca mais cure, quem sabe uma imagem que te provoque as reações mais bizarras que um ser humano poderia ter, um medo, uma fobia que você tenha, qualquer coisa que faça com que você tenha vontade de se jogar na frente de um trem.
Este é o verdadeiro inferno criança, o seu maior medo se repetindo todos os dias durante toda a eternidade, sim a eternidade que talvez seja a pior coisa do inferno deixe-me explicar. Imagine que a eternidade é um pequeno beija-flor e uma enorme montanha de diamante, bem se você se lembra o diamante é o mineral mais duro que existe na natureza, agora pense nesse frágil beija-flor bicando essa montanha com o seu bico mais frágil ainda até que toda ela se transforme em pó,quando isso acontecer, toda aquela montanha de diamante ser reduzida a pó pelo pequeno beija-flor terá se passado  um segundo na eternidade.
Assustador não é? Então imagine aquele homem que morreu com uma facada  no pescoço, o seu inferno era uma lembrança que ele tinha da infância, quando seu próprio pai matou de forma selvagem a família na sua frente, mãe e três irmãs todas estupradas e degoladas e, conforme o tempo foi passando e essa lembrança se repetindo milhares de vezes a loucura foi tomando conta da sua alma fazendo com que essa cena se alterasse, ora era ele quem matava a sua família outras vezes os seus pais se banqueteavam com as entranhas de suas filhas e em alguns casos ele e suas irmãs matavam os pais e depois faziam sexo e, desse ato incestuoso nasciam demônios horrendos que mastigavam suas mãe vivas.
Agora me responda, qual é o seu inferno?
Você está preparado para isso? Óbvio que não, não é mesmo, mas basta você não ser uma pessoa má como o homem da nossa história, que ao morrer não virá para o inferno mas, caso você seja uma pessoa má e o seu maior medo seja aquele dos demônios te esfolando vivo para todo o sempre... eu estarei aqui te esperando...


By Fernando Barbosa

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Apocalipse o nascimento do amor

E então aconteceu, por mais louco e insano que parecesse, o mundo estava acabando, os maias estavam certos o mundo realmente iria acabar no dia 21 de dezembro de 2012, mas as catástrofes e desastres naturais começaram pelo menos um semana antes, em toda parte vulcões há séculos adormecidos despertaram em imensa fúria, queimando e destruindo tudo, furacões e tornados de proporções indescritíveis assolavam países que nunca antes registram esse tipo de fenômeno, tempestades que alagavam tudo, terremotos que partiam regiões ao meio e, hoje dia 20 de dezembro os primeiros meteoros começaram a cair na Terra, começaram pequenos mas todos temem e de algum modo sabem que vai piorar.
Com o próprio apocalipse acontecendo o desespero tomou contas da população mundial, pelo menos com o que sobrou da população, já que, centenas de milhões morreram em todo mundo, a loucura e a histeria estão em todo lugar e o que aumenta ainda mais essa loucura é a falta de informação. Há três dias que não existe mais nenhum sinal de meio comunicação seja ela televisa ou radiofônica e a internet foi a primeira a cair no começo dos desastres.
Os governantes de todo mundo simplesmente desapareceram, não deram sequer um aviso ou falaram sobre o que fazer ou como agir, sumiram todos e, logos depois dos meios de comunicação também deixarem de existir o caos e o terror tomaram conta de tudo. O exército ou qualquer tipo de polícia também estão extintos, não há qualquer tipo de amparo legal para as pessoas. Estão todos perdidos e desesperados, há assassinatos por toda a parte, suicídios, pessoas fazendo monstruosidades como se o fim do mundo representasse carta branca para se fazer qualquer tipo de loucura ou atrocidade afinal de contas todos iriam morrer mesmo.
E com esse pensamento de certeza que irá morrer e que deve fazer aquilo que nunca teve coragem  que Carlos se dirige até a casa de sua amada, aquela que ele amou durante toda a sua vida, um amor platônico que ele sempre escondeu mas, hoje iria declarar-se pra ela. Carlos é um homem de 27 anos que viveu grande parte da sua vida em um orfanato, abandonado pelos pais ainda um recém nascido fora deixado lá e, conforme o tempo foi passando e ele envelhecendo as oportunidades de adoção diminuíam, até que um dia ele soube que nunca teria um família de verdade foi nessa época de desilusão e frustração que ele conheceu Liliane outra orfã que veio da cidade vizinha de um outro orfanato que tinha fechado as suas portas, ele então estava com 9 anos de idade e ela com 6 e uma grande amizade começou entre os dois, eles eram os únicos mais velhos que estavam ainda naquele orfanato e isso os uniu muito.
Andavam sempre junto, eram a família um do outro, e nas suas conversas infantis prometeram que nunca se separariam ficariam juntos para sempre. Certo tempo depois Liliane foi adotada por um casal, um grande choque para Carlos pois ele pensou que a tinha perdido para sempre mas no decorrer dos anos Liliane fez questão junto a seus novos pais de sempre visita-lo no orfanato nunca o perdendo de vista e, segundo ela mesmo disse um dia para Carlos quando ele perguntou  por que sempre vinha visita-lo, ela respondeu:
- A gente fez uma promessa se lembra.
Foi nesse momento que Carlos se apaixonou por ela o amor que ele sentia há muitos anos se transformou em algo maior, além da compreensão mas ele nunca disse nada. Os anos passaram, Carlos com dezoito anos entrou no quartel saindo assim daquele que sempre fora o seu lar e que nos últimos anos se transformara no seu local de trabalho, como nunca foi adotado ele virou um dos funcionários do orfanato.
Liliane tinha ido morar com os pais em outro estado mas sempre mantendo contato com Carlos e assim foi durante algum tempo até que ele recebeu a notícia que os pais adotivos dela tinham morrido numa tragédia  de carro e que ela iria voltar pra sua cidade pra perto dele, a única família que lhe restava.
A felicidade dentro de seu ser não tinha medidas mas essa felicidade duraria pouco tempo pois ao voltar logo depois Liliane conheceu André, por quem se apaixonou e em menos de um ano já eram casados fazendo com que Carlos simplesmente desistisse de lutar por esse amor que parecia impossível de acontecer.
Bem mas isso foi há 4 anos e agora com todo esse inferno acontecendo por toda a parte  Carlos decidiu que não iria partir dessa vida sem antes falar para Liliane que a  amava e, mesmo que ela não o amasse também, o que era bem provável, não importava, ele precisava falar. E assim naquela manhã ele saiu em direção da casa de sua amada, estava  um calor infernal ele não sabia quanto mas com certeza era mais de quarenta graus, tudo queimava, o céu estava pintado em tons vermelhos e cinza, as ruas eram o verdadeiro caos, mas Carlos não prestava atenção em nada ele só tinha que chegar lá antes que fosse tarde demais.
Ao chegar em frente a casa ele viu André, o homem que tinha lhe tomado o grande amor de sua vida,fumando perto do seu carro, quando  viu Carlos se aproximando ele veio em sua direção:
- Carlos - seu olhar era de irritação - o que você está fazendo aqui,será que nem agora com o mundo acabando você me deixa em paz - Carlos não se surpreendeu com aquilo André nunca  foi com a sua cara achava-o um perigo para o seu casamento desde o princípio.
- Desculpa André mas eu preciso falar com a Lili.
- Escuta aqui cara quem você acha que é pra chamar a minha mulher de...
-Carlos!!!!!! - Liliane apareceu de dentro de casa interrompendo o início de um discussão.
Ela correu em sua direção e o abraçou forte um abraço que ele adorava receber.
-Meu Deus eu pensei que nunca mais ia te ver de novo - a felicidade em seu sorriso era genuíno.
-Eu também... eu vim até aqui por que eu preciso falar contigo Lili... eu...
-Ainda bem que você veio, nós estamos saindo agora indo pra casa dos pais do André na cidade vizinha e... bem... você sabe né é o fim de tudo é inevitável nós vamos morrer por isso que a gente decidiu passar estas ultimas horas com a nossa família sabe... nossa isso tudo é loucura.
Foi como se todo o gelo dos dois polos caíssem na sua cabeça, de repente toda a sua coragem sumiu não tinha condições de falar nada, ainda mais com André como se fosse um cão raivoso olhando com fúria nos olhos prestes a pular pra cima dele.
- Você disse que queria falar comigo?
- Sim... - ele não conseguiria falar, ele não iria falar - na verdade eu vim me despedir sabe, isso é loucura mesmo, o mundo tá acabando meu Deus, é... eu vim me despedir Lili, você é a pessoa mais especial na minha vida... é isso...
Ela o abraçou chorando durante algum tempo ficaram assim, André que já estava dentro do carro começou a buzinar e a chama-la.
- Calma André!! - ela gritou irritada e se voltou para Carlos- você também é muito especial pra mim meu querido,que droga isso não é justo a gente sempre ficou junto e agora todo esse inferno vai nos separar.
Os dois agora chorando se abraçaram novamente e Carlos falou baixinho para Liliane:
- Não é justo mesmo, eu só queria que a minha vida terminasse com você ao meu lado.
Ela o olhou surpresa pelo o que ele falou e pela forma como falou, quando pensou em falar alguma coisa Carlos se livrou do abraço e disse:
- Adeus Lili.- virou as costas e começou a ir embora.
- Espera Carlos - mas ele não esperou e continuou andando e mesmo que ela o continuasse a chama-lo ele não parou, estava desolado e irritado consigo mesmo o que ele tinha pensado, que ia se declarar pra ela no último dia de suas vidas e ela sairia correndo para os seus braços? Que besteira, ela amava o André, porque ele pensou que isso ia mudar com apenas um declaração, aliás, uma declaração que nem sequer aconteceu por pura covardia mas ainda bem pois seria pior com ela sabendo toda a verdade, uma recusa a essa altura do campeonato não ia ajudar em nada.
Ele chegou em casa, por incrível que pareça pois, o caos que ele viu no caminho de volta, o calor insuportável e, a existente ameaça de meteoros fez com que o inferno de Dante se parecesse o jardim de infância se comparado ao terror e a insanidade que existia nas ruas da sua cidade. Não restando mais nada a não ser esperar ele deitou-se em sua cama mas não dormiu, parte por causa da histeria coletiva que acontecia lá fora, um barulho que parecia que todas as pessoas do mundo estavam na porta de sua casa se lamentando e lamuriando por causa da dor e do desespero e também não dormia  porque não conseguia tirar Liliane da sua cabeça pensar que nunca mais iria vê-la, apertava a sua garganta sufocando-o.
Mas a noite passou e o dia do final do mundo amanheceu mais quente do que nunca, o ar cheirava a morte, medo e suor, Carlos estava sentado na sala de sua casa que tinha uma enorme janela para a rua e dali ele via todo aquele inferno, muitos mortos em frente a sua casa, alguns carbonizados, pessoas corriam desesperadas pela calçada já que a rua toda estava trancada por veículos abandonados, ele podia ver muitas casas da vizinhança pegando fogo ou já totalmente destruídas e, pensou  como era incrível que a sua e a algumas outras poucas casas ainda estivessem em pé, talvez já que ele ia morrer na mais pura solidão Deus fez com que essa morte fosse sem sofrimento.
Estava assim perdido em seus pensamentos se perguntando se realmente existia um Deus, quando de repente  alguém começou a bater freneticamente na porta, já começou a pensar que alguém tentava refúgio ou simplesmente algum dos maníacos que surgiram em todo esse horror sabia da sua existência ali e tentava invadir para mata-lo. Mas antes d'ele fazer qualquer coisa ouviu uma voz e num primeiro instante não acreditou naquilo:
- Carlos!!!! Abre aqui, sou eu a Liliane, por favor abre a porta!!!!
Correndo como um louco ele foi até a entrada e abriu a porta pra dar de cara com uma Liliane apavorada e com lágrimas escorrendo pelo rosto, os dois se abraçaram durante muito tempo e ele perguntou não acreditando que aquilo estivesse acontecendo :
- O que você tá fazendo aqui Lili?!?!
- Eu... eu tinha que... eu precisava... - ela estava em choque, com certeza deve ter visto atrocidades nas ruas  na verdade era até um milagre que ainda estivesse viva. Carlos a levou para a sala e tentou acalma-la e depois de uma meia hora ele perguntou de novo:
- Lili o que você tá fazendo aqui? como conseguiu chegar?
- Eu peguei o carro do André ontem pouco depois que nós chegamos na casa dos pais dele e vim, depois as ruas ficaram intransitáveis e fiz todo resto a pé.
- Mas e o André? por que você deixou ele e veio pra cá?
- Ontem o que você disse pra mim, aquilo mexeu comigo eu não podia te abandonar, não agora, eu falei isso mas ele não entendeu então eu peguei o carro e o deixei.
O silêncio tomou conta dos dois, Carlos não acreditava que aquilo estava acontecendo, ela estava ali mesmo tinha escolhido ele ao invés de André, será que ela tinha...
-Ontem você disse que foi se despedir - ela  interrompeu seus pensamentos - mas depois me falou que queria morrer ao meu lado... por favor Carlos me fala a verdade... por favor eu estou sendo sincera contigo, seja sincero comigo.
Ele sorriu, sim ele seria sincero, como nunca tinha sido em toda a sua vida, ele segurou as mãos dela nas suas e disse:
- Lili... eu te amo... eu te amo desde sempre... você sempre fez parte da minha vida, na verdade você é a minha vida, eu sei que eu devia ter dito isso há muito tempo mas eu nunca tive coragem, e quando eu tive apareceu o André e as minhas esperanças terminaram... mas agora não tem nada me impedindo... eu te amo Liliane sempre te amei e sempre vou te amar... me desculpa se não disse isso ant...
Ela o abraçou e começou a beija-lo então, tudo desapareceu o medo, o fogo, os gritos, o fim do mundo tudo desapareceu a única coisa que existia era a mulher que ele amava em seus braços em um beijo que fez todos aqueles anos de espera valerem a pena.
Então de repente uma enorme luz chamou a atenção deles, olharam pela enorme janela da sala e viram... uma gigantesca bola de fogo apareceu no horizonte, um meteoro com o tamanho de 1500 campos de futebol vinha em direção a eles a uma velocidade de mais de 10 000 km por hora, o desespero nas ruas aumentou tornando-se algo insuportável de se sentir, pessoas passavam correndo com o corpo em chamas, casas desmoronavam por causa da intensidade e do poder da aproximação do meteoro, a casa de Carlos também começou a ruir.
Ele olhou  para Liliane ela virou-se para ele e olhando intensamente no fundo dos seus olhos disse:
- Carlos eu te amo...
A última coisa que Carlos fez em vida foi sorrir de felicidade, um sorriso que ele talvez nunca tenha dado em toda a sua existência... depois disso foi uma explosão de luz e fogo que consumiu tudo em centenas de quilômetros quadrados em questão de segundos e apenas mais alguns minutos depois cobriu todo o planeta com chamas e morte, nada restou, o enorme meteoro os atingiu em cheio.
Então a terra voltou a ser como era no início uma enorme bola de fogo e sem vida mas, isso não importava para a alma de Carlos pois ele estaria ao lado de sua amada Liliane cumprindo assim a promessa que tinham feito quando eram crianças, que iriam ficar juntos para sempre.


By Fernando Barbosa

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O choro de João

Era uma noite fria e escura com um vento gelado, muito gelado, fora do normal parecia que cortava a pele, João estava na varanda de sua humilde casa fumando um cigarro e sentiu uma coisa estranha naquele vento um arrepio percorreu todo o seu corpo mas, aquele arrepio definitivamente não era de frio.
Deixe-me lhes apresentar o nosso personagem João, pai de família, três filhos e uma mulher, trabalhador e morador de uma favela  uma pessoa comum, um cara comum. Apesar de parecer, na verdade ele não tem nada de comum, pode-se dizer que João é uma maravilha da natureza, um milagre em forma de homem na Terra. Não se preocupem já vou lhes explicar tudo.
Apesar de ser uma família muito pobre que passam por dificuldades financeiras desde o seu inicio,como por exemplo, cobertores para se agasalharem no inverno e por muitas vezes comida para matar a fome, a família de João é a família mais feliz do mundo, nada tira o sorriso de seus rostos, as crianças estão sempre alegres e faceiras e sua esposa se considera a pessoa mais feliz do mundo, apesar dos inúmeros problemas que os afligem e, o único responsável por tamanha felicidade é João.
Se vocês se lembram eu falei que João não era uma pessoa comum que ele era um milagre, pois bem João nasceu  com uma particularidade muito especial, ele não chorava, isso mesmo, em toda a sua existência de 33 anos João nunca sequer derramou uma única gota de lágrima dos seus olhos, nem mesmo ao nascer, quando é típico dos bebês chorarem com toda a força de seus pulmões ora seja pela aquela palmada do médico e pela primeira vez usando suas narinas para sugar o oxigênio ou por estarem fora do ambiente quentinho e protetor que os abrigou durante, na maioria dos casos, por nove meses ou simplesmente eles choram para avisarem que a partir daquele dia eles estarão fazendo parte do mundo e de sua história e que um dia talvez eles farão algo grande e memorável, enfim nem mesmo num momento tão especial e arrebatador como o seu nascimento João chorou, nada nem uma minúscula partícula de água sairam dos olhos daquele bebê com o semblante impassível.
E conforme João foi envelhecendo essa sua particularidade o impedia de chorar mesmo que a vida lhe reservasse momentos em que um belo pranto caíria bem.
Não chorou quando caiu da árvore e quebrou o braço aos cinco anos, ou quando levou a  primeira surra da qual ele se lembra e nem das outras que levou, .ou quando aos 9 anos sua mãe que ele tanto amava  morreu, não chorou quando teve a primeira desilusão amorosa que todo o jovem garoto tem, nem mesmo caiu em pranto quando seu pai morreu e o deixou só no mundo com apenas 15 anos, em nenhum desses momentos João derramou uma única gota de lágrima.
E por mais que tentasse, chegou ao cúmulo de ficar um dia inteiro cheirando cebolas descascadas para provocar o pranto, ele não chorava e, conforme  a sua vida foi passando ele foi se resignando quanto a isso e, com tempo simplesmente esqueceu, conheceu a sua esposa teve filhos e muitos anos se passaram sem que João se lembrasse que não podia chorar até que um dia ele percebeu que por mais difícil que fosse a sua vida a sua família estava sempre contente e feliz, foi então que depois de tantos anos ele entendeu, ele não chorava por um motivo, para fazer aqueles que amava felizes também, ele não sabia como mas, a sua total falta de lágrima nos olhos sugava a tristeza das pessoas e não deixava elas chorarem também.
E assim ele vivia feliz com a sua família, os anos passaram e a vida não poderia ser mais perfeita para João. E é assim que o encontramos fumando o seu cigarro na varanda de sua humilde casa sentindo aquele vento anormal que dá arrepios mas não arrepios de frio, uma sensação ruim e desconfortável toma conta de seu ser e ele resolve entrar e ir para a cama dormir. Sua esposa já está dormindo e não demora muito João também cai num sono pesado.
Em uma realidade paralela, num tempo que eu infelizmente não saberei explicar a vocês três espíritos superiores conversam sobre João, eles estão decepcionados e irritados com ele, pelo fato d'ele simplesmente ter nascido com um dom tão maravilhoso, sim não há nada mais maravilhoso do que não chorar e poder fazer as pessoas ao seu redor serem felizes e esquecerem das tristeza, e ele simplesmente usa isso em benefício próprio e de sua família da forma mais egoísta possível deixando de lado todas as pessoas que poderia ter ajudado.
E depois de muito observarem e confabularem sobre João esses tais espíritos superiores resolvem que João deve ser castigado, sim punido por tal insolência e, esse castigo virá em forma de lágrima, a lágrima que nunca caiu de seus olhos iria cair, da forma mais trágica possível  e por ações do próprio João.
Bem voltemos a casa  de nosso personagem ele está num sono profundo e está sonhando neste momento, nesse sonho ele é uma criança novamente e está brincando sozinho na frente de sua antiga casa quando de repente três garotos aparecem na sua frente estão todos vestidos de cinza e descalços João os olha curioso, os três o olham por um longo momento até que um deles fala:
- João - ele se espanta pelo fato daquele garoto saber o seu nome já que ele nunca os tinha visto na vida- nós sabemos que você não consegue chorar.
Espantado ele se levanta e pergunta num tom que representava um pouco de tensão:
- Como assim vocês sabem? como sabem o meu nome? quem são vocês?
Um outro garoto se adianta e fala:
- Nada disso importa, o que importa é que nós estamos aqui para te ajudar.
- Me ajudar, como assim?
Dessa vez o terceiro garoto fala:
- O fato de você não chorar na verdade é uma maldição que irá te destruir no futuro e por mais que você pense que seja uma coisa boa na verdade é um mal que deve acabar.
Dessa vez com muito medo João pergunta:
- Acabar, mas acabar como?
- Você deve chorar João.
- Mas eu já tentei, eu não consigo por mais que eu queira eu não consigo.
- Há apenas um jeito de você conseguir isso.
- Então me diga por favor me diga - o terror na sua voz era crescente.
- Na hora certa João você irá receber um sinal e, saberá o que fazer.
João acorda nesse instante muito assustado e suando bastante, ele se senta na cama e começa a pensar no sonho, de repente algo acontece e o medo toma conta de sua alma pois aquilo não foi um sonho e sim uma memória de um passado muito distante que há muito tempo, e ele não sabe como, estava escondida na sua mente.
Então ele começou a se recordar do que os garotos falaram, maldição, destruir, um mal que deve acabar, que ele deveria chorar, um sinal... mas que sinal? o que ele deveria fazer fazer? como ele poderia chorar? então como se fosse um estalo na sua cabeça, o vento, sim aquele vento, tinha algo de mal nele, ele trazia o cheiro da morte.
João olhou para o lado e viu a sua esposa dormindo tão serenamente e, tomado por uma loucura repentina que mesmo anos depois não saberia explicar o por quê. ele descobriu o que tinha o que fazer, foi até a cozinha, pegou uma faca voltou para cama e olhou mais uma vez pra sua esposa, ele a amava tanto mas, tinha que fazer, mesmo que isso não fizesse sentido nenhum para a sua mente.







A faca está no chão, a luz que vem da rua ilumina a sua lámina e o sangue que há nela indica que ela foi usada, João está com o corpo sem vida de sua mulher nos braços e, ele está chorando.

by Fernado Barbosa

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Viva como a mariposa

Vcs já notaram uma coisa? A gente vive preso em um eterno presente, entre as névoas das memórias do passado e, o mar de duvidas que é o futuro.Outro dia lendo não sei onde descobri que uma mariposa vive apenas um dia e esse dia pra ela é como se fosse um vida inteira pra nós,dezenas de anos em apenas um 24 horas.Por isso que eu digo viva e aproveite o seu dia, como disse o Robin Williams no filme A Sociedade dos Poetas Mortos "CARPIE DIEM" apenas faça como a mariposa, pois é hoje e agora que está toda a sua vida.
By Fernando Barbosa

sábado, 28 de julho de 2012

O Ovo

texto que peguei la do blog Medo B


Você estava a caminho de casa quando morreu.

Foi um acidente de carro. Não foi nada particularmente memorável, mas ainda assim fatal. Você deixou uma mulher e duas crianças para trás. Foi uma morte indolor. Os paramédicos tentaram o melhor para salvá-lo, mas não havia jeito. Seu corpo estava tão estraçalhado que você estava melhor morto, confie em mim.

Foi então que me conheceu.

"O q...o quê aconteceu," você perguntou "e onde estou?"

"Você morreu" respondi, dando os fatos. Não havia sentido em amenizar as coisas.

"Tinha um...caminhão e ele estava rabeando..."

"Sim", eu disse.

"E-eu...morri?"

"Sim. Mas não se sinta mal com isso, afinal todo mundo morre."





Você olhou em volta, e não havia nada além de nós dois. "O que é esse lugar," você perguntou. "isso é a vida após a morte?"

"Mais ou menos".

"Você é Deus?"

"Sim", respondi, "Eu sou Deus".

"Meus filhos...minha mulher..."

"O que tem eles?"

"Eles ficarão bem?"

"É isso que eu gosto de ver, você acabou de morrer e sua maior preocupação é a sua família. Isso é importante!"

Você me olhava fascinado.Para você, eu não parecia Deus, e sim algum homem... ou talvez uma mulher. Eu parecia uma figura vagamente autoritária, talvez um professor de gramática, nada como O Todo Poderoso.

"Não se preocupe, eles ficarão bem. Seus filhos se lembrarão de você como alguém perfeito em todos os sentidos. Eles não tiveram tempo de se decepcionar com você. Sua mulher chorará por fora, mas estará secretamente aliviada. Sendo justo, seu casamento estava desmoronando.E se serve de consolo, ela se sentirá culpada de tanto alívio."

"Bom, e o quê acontece agora? Eu vou para o Céu ou para o Inferno?

"Nenhum dos dois, você vai reincarnar."

"Ah, então os hindus tinham razão?"

"Todas as religiões estão certas da própria maneira" respondi."Vamos caminhar"

Você me acompanhou enquanto seguíamos pelo vazio. "Onde estamos indo?"

"Nenhum lugar em particular, é que eu acho bom caminhar enquanto conversamos."

"Então, qual é o sentido nisso, se quando eu renascer serei apenas um bebê, com tudo em branco. Todas as minhas experiências e conhecimento não valerão de nada."

"Não é bem assim. Você tem dentro de si todo o conhecimento e experiências de todas as suas vidas anteriores. Só não lembra delas agora."

Eu parei de andar e o tomei entre os ombros. "Sua alma é mais magnífica, bela e gigantesca do que você poderia sequer imaginar. Uma mente humana só pode conter uma fração ínfima de quem você é. É como colocar seu dedo num copo de água para saber se está quente ou fria. Você coloca uma pequena parte de você no mundo, e adquire a experiência que ela passa."

"Você esteve nessa vida humana pelos últimos 48 anos, então você ainda não se situou a ponto de sentir o resto de sua imensa consciência.Se nós ficássemos por aqui tempo o bastante, você lembraria de tudo. Mas não teria sentido fazer isso entre cada reencarnação."

"Quantas vezes eu já reincarnei?"

"Ah, muitas, muitas vezes! E muitos tipos diferentes de vidas. Na próxima, você será uma garota camponesa da China, no ano de 540 DC."

"Ei, espera aí, você vai me mandar de volta no tempo?"

"Bom, tecnicamente sim, eu acho. Tempo, como você o conhece, existe apenas no seu Universo. As coisas são diferentes de onde eu venho."

"De onde você vem..."

"Ah, sim, eu venho de um lugar. Um outro lugar. E há outros como eu. Eu sei que gostaria que eu lhe contasse como é lá, mas honestamente, você não entenderia."

"Oh...Mas espera, se eu reincarnar em outros períodos de tempo, quer dizer que posso ter interagido comigo mesmo em algum momento!"

"Claro, isso acontece o tempo todo. Com ambas as vidas conscientes apenas de seu próprio período, você sequer imagina que isso está acontecendo."

"Então, qual é a razão de tudo isso?!"

"Sério, você está realmente me perguntando qual é o sentido da vida? Isso não é meio típico demais?"

"Bem, é uma pergunta razoável." Você tentou insistir.

Eu o olhei nos olhos. "O sentido da vida, a razão pela qual eu criei esse Universo, é para seu amadurecimento."

"Você quer dizer a humanidade? Você nos quer mais maduros?"

"Não, apenas você. Eu fiz todo o Universo para você. Com cada vida, você cresce, amadurece e se torna um maior e mais completo intelecto."

"Só eu? E quanto a todos os outros?"

"Não há mais ninguém, nesse universo estamos só você e eu."

Você me olhava totalmente estupefato. "Mas e todas as pessoas da Terra..."

"Você. Todos eles são diferentes encarnações suas."

"Espera, eu sou todo mundo?"

"Agora estamos chegando lá." Eu disse com um tapinha congratulatório nas suas costas.

"Eu sou todos os humanos que já viveram?"

"E todos os que viverão, sim."

"Eu fui Abraham Lincoln?"

"E John Wilkes Booth também."

"Hitler?"

"E os milhões que ele matou."

"Eu sou...Jesus?"

"E todos os que o seguiram."

Nesse momento, você ficou em silêncio.

"Toda vez que você matou alguém, estava matando a si mesmo. Cada ato de bondade que cometeu, era também no seu próprio benefício. Cada momento de alegria ou tristeza que qualquer ser humano já teve ou terá, era seu."

Você pensou por um longo tempo.

"Por quê fazer tudo isso?"

"Pois um dia, você será como eu. Porquê é o que você é. Você é da minha espécie. Você é meu filho."

"Opa, opa! Quer dizer que eu sou um deus?"

"Não, ainda não. Você é um feto. Ainda está crescendo. Assim que viver todas as vidas humanas através do tempo, terá crescido o bastante para nascer."

"Então, todo o Universo, e tudo que há nele..."

"Um ovo. E agora, é hora de você seguir em frente para sua próxima vida."

E o coloquei a caminho.

sábado, 7 de abril de 2012

Pâmela

Quando era um garoto de 16 anos eu amei pela primeira vez, um amor simples, puro e belo.Ela não era mais uma garota mas uma mulher, com 21 anos, uma mulher jovem, sim, mas com certeza não era mais uma garota.
Seu nome era Pâmela e era linda, tinha cabelos  negros tão negros como a noite mais escura do inverno mais rigoroso, seus olhos duas imensas lagoas verdes me faziam acreditar que anjos existem, a sua voz tinha o poder de me fazer esquecer de todas as coisas ruins que podiam existir e o seu perfume, um perfume amadeirado que me trazia um sorriso aos lábios sempre que o sentia, inconfundível, era parte dela e eu adorava.
Pâmela nunca soube do meu amor por ela pois eu na minha total falta de maturidade, muito frequentes nos adolescentes, sempre tive medo de me declarar, sim medo, eu preferia mil vezes sonhar com ela e nutrir esperanças impossíveis do que enfrentar uma recusa que com certeza aconteceria se declarasse tal amor.
Então certo dia nossos destinos se separaram e nunca mais a vi, no começo a dor do amor não correspondido doía muito, mas não mais do que a do arrependimento, devia ter dito tudo pensava mas, não disse e me achava um grande covarde o maior dos covardes, mas com o tempo essas dores foram diminuindo, a cada dia sentia menos saudades de Pâmela e me achava menos covarde.
Isso não quer dizer que não demorei anos para deixar de ama-la, e conforme os anos iam passando e o amor juvenil diminuindo as lembranças que tinha dela foram se pagando, como o incansável vento a  esmigalhar a rocha, o vento era o tempo e a rocha minhas memórias de Pâmela.
Primeiro foram os cabelos, me lembrava que eram negros claro mas acabei me esquecendo da sensação boa que sentia ao vê-los balançar ou quando ela os amarrava, depois vieram os seus olhos verdes, não me lembrava qual a emoção que eles me traziam e bem, hoje tenho certeza que anjos não existem, a sua voz também conheci tantas outras depois dela que sequer me lembro com era o timbre da sua, mas o perfume... ahhh esse ficou, seu cheiro amadeirado era inesquecível.
E foi graças ao perfume que outro dia eu a encontrei, fazendo algo tão banal como compras no supermercado, quando de repente senti aquele cheiro que eu tanto amei, então ali estava ela e todas as lembranças voltaram os cabelos negros agora estavam curtos mas ainda eram negros,seus olhos lindos e verdes e a voz também quando me reconheceu e disse que estava feliz em me ver de novo depois de tanto tempo mas, apenas as lembranças voltaram, não o amor.
Nos despedimos e cada um seguiu o seu rumo novamente então eu descobri que aquele garoto que tanto amou Pâmela não existia mais, só ele era capaz de ama-la pois era jovem,tolo, imaturo pensava que todas as coisas durariam para sempre tanto as amizades quanto os amores e, descobriu da forma mais espinhosa que isso não é verdade, como eu tenho pena dele mas, ao mesmo tempo... tanta inveja, ele a amou de verdade, porque os amores não precisam ser eternos para serem verdadeiros, e o seu, era simples, puro e belo como todo o amor deveria ser... simples, puro e belo.

by Fernando Barbosa

domingo, 1 de abril de 2012

Nas estradas sinuosas da vida

A vida é uma estrada cheia de bifurcações, com caminhos tortuosos que nos fazem pensar em desistir do percurso mas como todo o caminho tem que chegar à um lugar, eu sigo por essa estrada na esperança de quando chegar ao final do caminho toda a viagem tenha valido à pena.
Nas estradas sinuosas da vida eu sigo por vezes encontrando barreiras difíceis de transpor mas nunca impossíveis e, que Deus seja bondoso comigo e dê alguém que me acompanhe nesta viagem me ajude a construir a nossa própria estrada levando junto conosco nossos herdeiros e que eles sigam as sua próprias estradas.
E quando eu chegar no fim da minha estrada e olhar para trás espero que a visão que tiver seja de uma estrada cheias de pessoas as mesmas que eu amei, as que vou amar ainda e de momentos lindos e bons mas também  tenha momentos difíceis, rezo para que sejam poucos, mas que estejam lá pois, será também graças a eles que a minha caminhada me faça sentir que todos os passos tenham valido à pena.

by Fernando Barbosa

sábado, 31 de março de 2012

E se pudéssemos controlar o tempo

E se pudéssemos controlar o tempo, não seria mais legal do que apenas seguir de cabeça baixa as suas regras? Poderíamos fazer do tempo o nosso escravo e não o contrário, ir aonde quiser e voltar na mesma hora que partiu, não perder mais tempo fazendo coisas banais do dia, que tornam a nossa vida a mais chata das rotinas.  

Ah sim a rotina, a mais fiel escudeira do tempo e também a sua melhor carrasca pois é ela que nos faz lembrar quem é o nosso senhor "o todo poderoso tempo" o que controla as nossas vidas e todo o movimento da existência no universo, ele está aqui para garantir que tenhamos a consciência de que nada vive para sempre.

Por isso seria demais dominarmos o tempo, ora sendo dono da nossa própria sorte, eu particularmente como dono do meu tempo faria o relógio (este outro grande fiel vassalo do seu senhor Lorde Tempo) andar conforme a minha maneira e gosto, mandaria ele andar com os ponteiros trás para reviver e saborear o doce gosto dos bons  momentos e, faria ele andar rápido para frente e pular os maus.
Eu sendo dono do tempo faria ele parar e, curtir aquele lindo nascer do Sol numa praia qualquer com a minha linda amada à segurar a minha mão e aperta-la com força quando o grande círculo de fogo mostrasse todo o seu sorriso e nos esquentasse depois de uma noite fria que só as trevas noturnas conseguem nos dar.
Podendo controlar o tempo mandaria a rotina para o inferno com suas ações repetitivas fazendo com que os belos dias de verão durassem mais e os charmosos do inverno tivessem um pouco da beleza que tem os dias da nossa querida primavera.
Sendo eu o todo poderoso senhor do tempo faria com que todos os momentos de angústia durassem milésimos de segundos pois como dizem, o tempo é o melhor remédio, este seria o remédio com o efeito de cura mais rápido que existe.
Enfim ser dono do tempo com certeza é uma coisa maravilhosa mas, é um sonho, um sonho utopista elevado na décima potência, sim devo admitir mas, seria lindo, ahhh seria lindo...

by Fernando Barbosa